Tucano acusa o governo e o PT de tentativa de censura
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Wilson Tosta e Felipe Werneck<BR> Agência Estado 
Rio - Em um duro discurso, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou ontem o governo federal e o PT de tentarem, nos últimos anos, intimidar e censurar a imprensa, durante o 8º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no Rio de Janeiro. Sem citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra disse que as tentativas de censurar o setor de comunicação social se dão de três formas. A primeira, segundo, ele, é a ''democrática entre aspas'', pela realização de conferências como as de Comunicação, Direitos Humanos e Cultura que, afirmou, ''se voltaram de fato para o controle da nossa imprensa, através do suposto controle da sociedade civil''.
''Quantas pessoas participam dessas conferências? Quinze mil? Vinte mil? Isso não representa o povo brasileiro. Representa um partido e setores que revelaram uma certa porosidade. São feitas com dinheiro público, são de um partido e de frações de um partido, do PT'', afirmou ele, acrescentando que esses encontros geraram cerca de 600 projetos de lei que estão no Congresso.
Serra também acusou o governo de tentar intimidar o setor de comunicação, pela ameaça de restrições à publicidade de certos produtos, e denunciou a existência de um suposto patrulhamento exercido contra profissionais de imprensa. O candidato também criticou a TV Brasil, mantida pela estatal Empresa Brasil de Comunicação, e criticou a Lei Eleitoral que, afirmou, impõe um ''isentismo'' obrigando jornalistas a se preocupar com versões, não com fatos.
O candidato admitiu que, às vezes, reclama da ação da imprensa, mas afirmou que não o faz com o ânimo de quem quer censurar. ''É muito diferente de ter um aparelho de Estado que se organiza para trazer sob seus desígnios o jornalismo, usar a opressão do Estado através de pronunciamentos, de pressão econômica, pressão de chantagem, pressão de patrulhamento em favor de um partido'', atacou.
Depois do discurso, Serra assinou a Declaração de Chapultepec (documento lançado em 1994 no México em defesa da liberdade de imprensa) e, em entrevista, se recusou a responder a perguntas sobre as críticas que fizera ao PT e ao governo no discurso.
A candidata à Presidência pelo PV, Marina Silva, irá particiar hoje do encontro da ANJ.


