TSE vai decidir quem será prefeito de Gurupi
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domingo, 09 de março de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O município de Gurupi (TO), desconhecido de boa parte dos brasileiros, vem ganhando notoriedade por ser o único entre os mais de 5 mil municípios do País que não conseguiu eleger seu prefeito nem os 11 vereadores da Câmara. A 250 quilômetros da capital Palmas, a cidade é alvo de uma briga na Justiça travada entre os políticos locais e o governador Siqueira Campos (PPB). A confusão já envolveu até o presidente nacional do PMDB, Paes de Andrade.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio de Mello, recebeu recentemente uma comissão de deputados federais e estaduais que fazem oposição ao governador Siqueira Campos. Eles pediram ao ministro agilidade no julgamento dos recursos que tramitam no TSE contra as decisões da Justiça local e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que resultaram no cancelamento da apuração dos votos e na anulação da eleição de 3 de outubro.
Sem prefeito ou vereadores eleitos, Gurupi é hoje administrada por um interventor, nomeado pelo governador Siqueira Campos (PPB). Há pouco tempo o governador determinou a antecipação de seis meses de receita ao município, que é o segundo em volume de arrecadação no Estado. Curiosamente, o escolhido por Siqueira Campos para administrar essa receita é o mesmo que ele apoiou nas eleição do município, o peemedebista João Lisboa Cruz.
O então candidato chegou a concorrer, mesmo com o registro indeferido pelo TSE, numa liminar concedida ao diretório regional do PMDB, que não aceitou a candidatura de Cruz por causa da aliança formada entre ele e Siqueira Campos.
A briga judicial por causa da anulação das eleições de Gurupi já envolveu todos os partidos locais. De um lado está o direção regional do PMDB, sob o comando do deputado federal Udson Bandeira, que tem o apoio do PMDB nacional e até do PT local. De outro estão os aliados do governador pepebista. O TSE não pode mais protelar essa agonia: ou se apura os votos que os eleitores depositaram nas urnas, ou se convoca nova eleição.
O dilema começou quando o diretório regional do PMDB interviu na Executiva municipal de Gurupi que escolheu João Cruz como candidato do partido. Inimigo de Siqueira Campos, o PMDB regional havia proibido coligações em todo o Estado. O TRE concedeu liminar a Cruz mantendo sua candidatura. Recorrendo ao TSE, o diretório do PMDB conseguiu liminar, convalidando a comissão especial que escolheu outro candidato peemedebista. Os adversários realizaram convenções distintas no mesmo dia para lançar seus candidatos, mas os dois registros foram indeferidos pela juíza eleitoral Maísa Vendramini.


