TSE rejeita embargos de Belinati
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Por cinco votos a um, e após um amplo debate a natureza das irregularidades que gerariam ou não inelegibilidade do candidato, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou nesta madrugada os embargos de declaração ingressados em favor do deputado estadual Antonio Belinati (PP). Eleito no segundo turno com 51,73% dos votos válidos, Belinati, que concorreu sob impugnação impetrada já em setembro pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), teve o registro cassado pelo TSE no último dia 28.
A defesa do ex-prefeito e a Assembléia Legislativa do Paraná são as autoras dos embargos rejeitados ontem ambos, contidos no recurso especial eleitoral que, em 9 de dezembro, após o voto do relator, ministro Carlos Ayres Britto, pela negativa dos recursos, acabou saindo de pauta por conta de um pedido de vista do ministro Eros Grau.
Grau foi o único a pedir provimento aos embargos, por considerar, em síntese, que o TRE-PR não se manifestara de modo inquestionável às irregularidades apontadas pelo Tribnal de Contas do Paraná (TC-PR) no convênio que resultou na rejeição das contas municipais de 1999, a qual originou a cassação do registro em Curitiba e em Brasília. O TRE limitou-se a presumir que eram irregularidades insanáveis; elas têm que ser insanáveis para de fato haver a inelegibilidade e não é o caso dos autos, citou. O relator chegou a contemporizar: Não vou fazer cavalo de batalha, mas reforçou o voto contrário negando, como sustentaram os embargos, haver omissão de análise por parte do Tribunal. Britto foi acompanhado pelos ministros Félix Fisher, Fernando Gonçalves, Arnaldo Versiani e Marcelo Ribeiro. Joaquim Barbosa estava ausente na votação.
No novo recurso, a defesa do candidato pedia que o TSE abordasse no processo pontos como a natureza das irregularidades que conduziram o TC-PR a rejeitar as contas de Belinati. Além disso, o candidato questiona a alteração da jurisprudência, segundo ele, já consolidada pelo Tribunal.
O advogado de Belinati, Eduardo Franco, vai ingressar com recurso extraordinário no Supremo Tribunal Federal (STF) para derrubar a decisão dos ministros. Franco adiantou que vai anexar à peça não apenas o acórdão da sessão de ontem, ainda não publicado, como o voto favorável do ministro Eros Grau e a gravação dos quase 30 minutos de debate entre os ministros ocorrido durante a votação. Houve ofensa ao princípio da segurança jurídica. O TSE deu uma guinada na jurisprudência no meio do processo eleitoral, e vários ministros reconheceram, isso, na sessão, afirmou, para completar: Esse recurso será protocolado no máximo no início da próxima semana.
Para o promotor Miguel Sogaiar, que vinha defendendo o julgamento final dos embargos como base para definição do impasse em Londrina, o TRE já pode convocar novas eleições para a cidade; não tenho dúvidas disso. Na avaliação de Sogaiar, o novo pleito, ainda que não especificamente para o caso de Londrina, já é, aliás, orientação que consta de um ofício encaminhado semana passada pelo TSE aos TREs de todo o país. Nele, o Tribunal orienta que haja nova votação em municípios onde o candidato eleito com mais de 50% dos votos válidos teve o registro cassado. A defesa pode até recorrer, mas agora a solução tornou-se definitiva qualquer recurso dele ao Supremo não tem efeito suspensivo do TSE, disse o promotor eleitoral.


