Fragilizada no STF (Supremo Tribunal Federal), a Lei da Ficha Limpa corre riscos reais de ser ainda mais esvaziada. "A constitucionalidade da lei referente aos seus vários artigos poderá vir a ser questionada futuramente antes das eleições de 2012", admitiu o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro do STF e defensor da lei, Ricardo Lewandowski. Segundo ele, nesse futuro exame "a lei vai ser fatiada como um salame e será analisada alínea por alínea".

No Supremo, a lei deverá enfrentar resistência quando tiver a sua constitucionalidade questionada. Pelo menos quatro dos 11 ministros do STF já adiantaram que são contra alguns pontos da norma. O primeiro deles estabelece a possibilidade de um político ser excluído da disputa eleitoral por uma condenação ocorrida no passado.

"Se você puder apanhar fatos da vida passada para atribuir efeitos futuros, talvez não haja mais limites", comentou o ministro Gilmar Mendes, relator do processo que invalidou a aplicação da lei na eleição de 2010. "O importante é que o Supremo não vai chancelar aventuras", disse.

Integrante do TSE e do STF, o ministro Marco Aurélio Mello afirmou que o tribunal eleitoral tinha dado "uma esperança vã à sociedade" ao determinar a aplicação da Ficha Limpa no ano passado.

Apesar de reconhecer que ainda não está definida a constitucionalidade da norma ao afirmar que "a lei não está imune a questionamentos", Lewandowski discordou de Marco Aurélio. "A Lei da Ficha Limpa hoje é muito mais que uma lei formal, e uma ideia e sentimento de moralização dos costumes políticos. Essa ideia ingressou no imaginário popular".

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