Durou menos de meia hora a tentativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de dar um encaminhamento às eleições de Londrina, ontem à noite. Pouco depois do presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, levar ao plenário o julgamento da consulta administrativa 1.657,o ministro Marcelo Ribeiro pediu vistas e adiou a decisão. A consulta, oriunda do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE/PI), deve mostrar, segundo Britto, o caminho que o TSE vai ‘‘trilhar para muitas outras decisões dos últimos processos de impugnação de registro de candidatura’’. A consulta já recebeu os votos dos ministros Arnaldo Versiani e Eliana Calmon e deve voltar à pauta entre amanhã e a próxima terça-feira. De acordo com Britto, os recursos de defesa do prefeito eleito, Antonio Belinati (PP), também poderão ser julgados na quinta-feira.
  Mesmo com a indicação de que o processo sairia de pauta, o presidente do TSE adiantou trechos de seu posicionamento e fez uma diferenciação entre os votos nulos apolíticos e os que são tornados nulos com a cassação do registro do candidato. ‘‘O voto que o eleitor anula foi autodesqualificado. (...) No outro, o eleitor deu seu voto para alguém e ele se tornou nulo por desqualificação do candidato pela Justiça Eleitoral’’, explicou. ‘‘Qual é a consequência disso? Que os dois tipos não se somam. O que se pode fazer é somar os nulos originariamente para saber se 50% mais um foram alcançados, e (fazer) outra soma, diferenciada, para saber se a segunda categoria alcançou 50% mais um.’’
  O raciocínio do ministro é semelhante ao de Arnaldo Versiani, que, em seu voto, já opinou pela realização de novo segundo turno em Londrina. Segundo juristas ouvidos pela FOLHA, são nulas as eleições em que mais de 50% dos votos são invalidados. A questão, porém, é controversa - há quem proponha a posse do segundo colocado mais bem votado.
  O ministro Marcelo Ribeiro, ao pedir vistas do processo, alegou que o ‘‘histórico’’ do TSE aponta para a diplomação e posse de candidatos com registro impugnado enquanto houver direito a recurso.
  A juíza da 41ªZona Eleitoral de Londrina, Denise Hammerschmidt, voltou a afirmar ontem que vai aguardar o julgamento dos recursos de defesa de Belinati antes de tomar uma decisão sobre as eleições. ‘‘A consulta pode servir de fonte de subsídio, mas enquanto houver recurso não pode haver decisão.’’
  O advogado Eduardo Franco, defensor de Belinati, também descarta realização de novas eleições enquanto os recuros estiverem sob julgamento. A defesa de Belinati teve uma reunião com Ayres Britto ontem no início da noite e recebeu a confirmação de que os embargos devem ser julgados na quinta-feira. ‘‘Foi uma promessa cordial, mas nada que possa garantir muita coisa’’, ressalvou.

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