Arquivo FolhaVigilânciaFernando Henrique Cardoso: todos os atos do presidente estão sendo policiados pela oposiçãoO presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, foram notificados ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e terão cinco dias para responder se utilizaram poder político para pressionar os convencionais do PMDB a apoiar a reeleição. A notificação ao presidente foi recebida, no Palácio do Planalto, pelo chefe de gabinete da Casa Civil, Luís Jorge de Oliveira.
A convenção do PMDB, marcada para amanhã, motivou duas denúncias do PT - a primeira, de abuso do poder político, para a pressão aos integrantes do partido, já formalizada ao TSE; a segunda, de uso do dinheiro público para a compra de comida para os convencionais, feita no plenário da Câmara, deverá ser levada à Justiça Eleitoral na segunda-feira (09).
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, foi incluído nas duas denúncias das oposições. O presidente Fernando Henrique foi citado em uma, sobre suposto abuso do poder político.
Antes de prestar os esclarecimentos, o presidente Fernando Henrique e o ministro responderam com ataques às oposições. Fernando Henrique disse que está havendo exploração política dos fatos e acusou as oposições de não ter nenhuma proposta para o País. Eliseu Padilha considerou ridícula a denúncia de uso de verba do seu ministério para a compra das marmitas que vão alimentar os participantes da convenção do PMDB.
Na representação encaminhada ao TSE, o PT pediu a inelegibilidade do presidente Fernando Henrique Cardoso e do seu ministro dos Transportes. A alegação é de que eles teriam utilizado a máquina do governo - liberação de verbas, principalmente - para levar os integrantes do PMDB a dar apoio à reeleição do presidente. O PT alegou ainda que o governo pressionou a Procuradoria-Geral da República a não abrir processo contra o governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), acusado de irregularidades na emissão de títulos públicos.
A denúncia formal do uso de verba do Ministério dos Transportes para a compra das marmitas destinadas aos convencionais do PMDB somente será feita na segunda-feira (09). O deputado Chico Vigilante (PT-DF) foi o encarregado de levar o assunto ao plenário da Câmara. Ele disse que o negócio, de R$ 70 mil, foi fechado dentro do Ministério dos Transportes, pelo comerciante Pedro Alves de Sousa, e por Gilson Moura, assessor do ministro Eliseu Padilha.
Vigilante conseguiu cópia do contrato do restaurante de Pedro Alves. De acordo com o documento, serão fornecidas 10 mil marmitas com refrigerante, 20 mil kit lanches e 20 mil garrafas de 500 ml de água mineral destinadas aos participantes da convenção do PMDB. O ministro Eliseu Padilha citou a compra de marmitas para os sem-terra, feita pelo governo petista do Distrito Federal durante uma das passagens do MST por Brasília. Segundo o ministro, até para comprar alimentos o Ministério precisa fazer licitação.
O presidente Fernando Henrique Cardoso ficou irritado com a acusação de que o governo estaria utilizando a máquina administrativa para forçar o PMDB a apoiar sua reeleição. Para Fernando Henrique está havendo ‘‘exploração política’’ dos seus atos. ‘‘Daqui a pouco vão dizer que ao comemorar o Dia da Mulher (solenidade que acabara de encerrar) eu fiz uso da máquina administrativa’’, disse.
‘‘Os adversários, a oposição, que num vazio de propostas começa a ver o uso da máquina em tudo, só irrita o povo, que está vendo que não é assim’’, declarou Fernando Henrique, em rápida entrevista depois da cerimônia.
O presidente pediu ‘‘bom senso’’ aos seus críticos, para que não confundam o que é exercício do governo com o uso da máquina. ‘‘Até porque não sou candidato ainda a nada. Sou presidente da República.’ Para Fernando Henrique, ‘‘quem for usar a máquina para se eleger, não se elege’’.

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