TSE empresta urnas eletrônicas para o Equador
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quinta-feira, 14 de outubro de 2004
Mariângela Gallucci<br>Agência Estado 
Brasília - Às vésperas do segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emprestou 700 urnas eletrônicas que serão usadas nas eleições municipais equatorianas marcadas para ocorrer neste domingo. De acordo com o TSE, o empréstimo das máquinas não vai atrapalhar a eleição brasileira já que haverá segundo turno apenas em 44 cidades que têm mais de 200 mil eleitores.
Conforme o TSE, o empréstimo de urnas está previsto em um convênio firmado com a Organização dos Estados Americanos (OEA). A entidade pagou o transporte e o seguro das máquinas que serão utilizadas pelos 62.781 eleitores (cerca de 3% do eleitorado) das cidades de Quito, Guaiaquil, Otavalo, Portoviejo e Cuenca, segundo o TSE. As despesas com viagem e manutenção no Equador dos cerca de 10 técnicos do tribunal brasileiro também foram bancadas pela OEA, informou o TSE.
Além de não ter recebido nada pelo empréstimo das urnas, o TSE vai ter de arcar com os custos das passagens, hospedagens e diárias do presidente do tribunal, Sepúlveda Pertence, e de assessores que assistirão à votação como observadores. Uma passagem aérea em classe econômica de ida e volta entre Brasília e Quito custa US$ 1.095 (R$ 3,1 mil).
Frequentemente a Justiça Eleitoral brasileira reclama de falta de recursos. Em abril, por exemplo, Sepúlveda Pertence esteve com o ministro do Planejamento, Guido Mantega, e reiterou um pedido de crédito suplementar para a realização das eleições municipais deste ano. Segundo informação divulgada na época pelo TSE, Pertence falou sobre as dificuldades financeiras da Justiça Eleitoral.
Ontem, Sepúlveda Pertence esteve com o presidente do Equador, Lúcio Gutiérrez, e comentou que durante muito tempo o Brasil manteve um isolamento do restante do continente. ''É nesse sentido de redescobrimento da América Latina que a Justiça Eleitoral brasileira desenvolveu a urna eletrônica e a tem colocado à disposição dos demais países Latino-Americanos'', afirmou. ''Tenho certeza de que a ajuda brasileira é o início da modernização e transparência do voto do povo equatoriano'', disse Gutiérrez.
De acordo com o TSE, essa será a quarta vez que o sistema eletrônico de votação brasileiro será testado em outros países. Em 2003, por exemplo, o TSE emprestou 6 mil urnas que foram usadas nas eleições gerais do Paraguai. Segundo o tribunal, apenas nove falharam.


