TSE descarta Forças Armadas no Rio e fará campanha pró-voto
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Luciana Nunes Leal<BR>Agência Estado 
Rio - Uma campanha nacional sobre a garantia do sigilo do voto será lançada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em resposta às pressões de candidatos que intimidam e ameaçam eleitores para garantir o domínio de determinadas regiões. Depois de uma reunião no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio, o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, disse que uma série de medidas tentará garantir a segurança das eleições na capital fluminense. Se as ações forem consideradas insuficientes, as Forças Armadas poderão ser chamadas a trabalhar com a Polícia Federal e as polícias estaduais, afirmou o ministro.
O debate sobre a segurança das eleições no Rio começou quando candidatos foram impedidos de visitar favelas e comunidades dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias. Segundo presidente do TRE fluminense, Roberto Wider, a campanha de informação ao eleitor sobre a impossibilidade de identificação do voto será lançada ''o mais rápido possível''. ''A urna eletrônica é seguríssima. É impossível saber quem votou em quem. É importante que todo mundo se sinta acobertado, protegido pela cláusula constitucional do sigilo do voto. Não só o eleitor como todas as comunidades. Não há como acuar, acossar, intimidar esta ou aquela comunidade com a bravata de que é possível se identificar o voto'', afirmou Ayres Britto.
Sobre a possibilidade de as Forças Armadas atuarem na eleição carioca, o ministro afirmou que ''vai depender da evolução do processo eleitoral'' e a presença militar poderá ser decidida em qualquer momento da eleição. ''Todas as possibilidades estão em aberto. Nada está definido nem descartado. Se houver necessidade das Forças Armadas, faremos isso. A prioridade absoluta é a regularidade da eleição'', afirmou o presidente do TSE. Qualquer decisão sobre o envio das Forças Armadas, disse o ministro, será discutida com o governador do Rio, Sérgio Cabral, e com o colegiado do TSE.
Participaram da reunião de ontem, além de Ayres Britto e Wider, o ministro da Justiça, Tarso Genro; o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa; o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e outras autoridades federais e estaduais de segurança pública. Segundo Wider, dentro de dez dias a Polícia Federal apresentará um relatório das investigações sobre as ações de traficantes e milicianos na campanha eleitoral.
Ayres Britto anunciou que a Polícia Federal dará prioridade aos inquéritos que investigam os candidatos que tentam monopolizar determinadas regiões, impedindo que os adversários políticos façam propaganda nos chamados currais eleitorais. O ministro informou ainda que os candidatos que se sentirem inseguros para fazer campanha em qualquer ponto da cidade poderão pedir policiamento ostensivo na região.
Para Ayres Britto, como o voto é apenas para prefeito e vereador, o eleitor poderá buscar amplas informações sobre os candidatos.


