Curitiba - Neusa Pessuti Francisconi, irmã do vice-governador e secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessuti (PMDB), foi declarada inelegível nesta eleição pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília. Neusa lançou-se candidata pelo PMDB à Prefeitura de Jardim Alegre (115 quilômetros ao sul de Apucarana). O comitê de campanha de Neusa se reuniu ontem para debater o caso e deve encaminhar o recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos dias, conforme a Folha apurou junto aos aliados de Neusa em Jardim Alegre.
Conforme a Constituição Federal, são inelegíveis os parentes até o segundo grau do governador ou de quem o tenha substituído nos seis meses anteriores à eleição. E por causa de viagens do governador Roberto Requião (PMDB) ao exterior, Pessuti o substituiu no governo em diversas ocasiões. Com a decisão, que saiu anteontem à noite, o TSE entende que a irmã do vice-governador não pode ser candidata. Ela pode, no entanto, recorrer ao STF, por se tratar de matéria constitucional. O prazo para recurso é de três dias.
Para defender a candidatura dela, que foi aceita pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a defesa alegou basicamente que existe uma inconsistência lógica na Constituição Federal. É que a Constituição permite que o presidente, governador e prefeito, por exemplo, disputem a reeleição sem deixar o cargo. Mas os parentes ficam impedidos de disputar. Caberá ao STF decidir. Jardim Alegre tem dois candidatos a prefeito: Neusa e Natal de Souza André (PPS). A campanha de Neusa continua nas ruas, enquanto não houver uma decisão final. Ontem, foram feitas duas passetas na cidade.
No dia 31 de agosto, o TSE reconheceu também a inelegibilidade de Márcia Elizabeth Drehmer de Melo e Silva (PMDB), cunhada do governador Roberto Requião. Ela lançou-se candidata a vereadora em Curitiba, mas como é casada com Maurício Requião, irmão do governador e secretário de Estado da Educação, é considerada inelegível. O TRE do Paraná havia liberado tanto Neusa quanto Márcia para a disputa, mas a decisão da Justiça Eleitoral local foi reformada pelos ministros do TSE, após recurso do Ministério Público (MP) eleitoral. A defesa de Márcia feita em moldes semelhantes à de Neusa Pessuti já recorreu ao STF, com um agravo regimental, e aguarda uma decisão.
A Folha tentou ouvir Neusa ontem, mas ela não retornou as ligações feitas para a sua casa e para o comitê de campanha.

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