Arquivo FolhaFim da agoniaOdécio Ferrarini: vitória por apenas dois votos virou motivo para briga na justiçaDepois de um ano de muita briga na Justiça a população de Pitangueiras pode dizer, finalmente, que sabe quem é o prefeito da cidade. Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, na quinta-feira, que Odécio Ferrarini (PTB) deve permanecer no cargo até o final do mandato.
A confusão em Pitangueiras, cidade com 2.320 habitantes, ex-distrito de Rolândia, começou no dia 3 de outubro de 96, quando terminou a apuração dos votos da eleição municipal. Odécio Ferrarini venceu a Antônio Kolachinski (PSDB) por apenas dois votos de diferença. Inconformado com o resultado, Kolachinski recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral argumentando que quatro eleitores haviam ficado sem votar porque seus nomes não apareciam nos registros da Justiça Eleitoral. O TRE anulou o resultado de três seções eleitorais e marcou nova eleição para o dia 29 de junho de 97.
Em protesto contra a decisão do TRE, Ferrarini não fez campanha e perdeu a nova eleição. Kolachinski chegou a ser diplomado prefeito, mas não conseguiu assumir o cargo. Uma nova liminar, desta vez do TSE, manteve Ferrarini na prefeitura. Como a decisão dos ministros do TSE mantendo o resultado da primeira eleição foi unânime, não há mais possibilidade de recurso.
Segundo o ex-prefeito e atual secretário de Finanças e Obras, Arquimedes Ziroldo, toda essa confusão prejudicou muito a cidade. Pitangueiras tem apenas duas escolas, um posto de saúde, dois mercadinhos e alguns bares. Não há posto bancário. Quando o morador precisa do serviço bancário, tem que se deslocar até o município mais próximo - Astorga, a 15 quilômetros de distância. A base da economia é agrícola e a maioria da população é formada por trabalhadores rurais.
‘‘A imagem de Pitangueiras ficou muito desgastada com toda essa confusão. Até para negociar com nossos fornecedores ficava difícil por causa da pendência judicial. Em alguns casos tivemos que dar cheques nossos, particulares, para comprar equipamentos que a prefeitura precisava. Com essa decisão do TSE, agora podemos trabalhar tranquilos’’, diz Ziroldo.

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