Brasília - O corregedor-geral da Justiça Eleitoral no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Cesar Rocha, abriu ontem uma investigação judicial-eleitoral para apurar as denúncias de envolvimento de petistas, inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em suposta tentativa de compra de dossiês para desqualificar candidaturas de tucanos. A investigação foi solicitada pela coligação ''Por um Brasil Decente'', formada pelo PSDB e PFL.
No pedido, protocolado ontem no TSE, a coligação afirma que Lula, ''no mínimo, é beneficiário das condutas dos demais''. Segundo os partidos, isso já seria suficiente para o presidente perder o registro de sua candidatura ou, se eleito, do diploma. ''Tenho, pelo menos nesta primeira análise, por inegável, a repercussão dos fatos, narrados na inicial, no processo eleitoral em curso'', afirmou Cesar Rocha.
Ele determinou a notificação de Lula e de outros que deverão ser investigados: o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e os advogados Valdebran Padilha e Gedimar Passos e o ex-assessor da Secretaria Particular da Presidência da República Freud Godoy, já afastado do cargo.
Em Cuibá, Valdebran Padilha da Silva confirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF), que o dinheiro para a compra do dossiê contra os candidatos do PSDB José Serra (governo de São Paulo) e Geraldo Alckmin (Presidência da República) veio do PT. Filiado ao PT do Mato Grosso, Valdebran foi preso na última sexta-feira em São Paulo.
Valdebran foi preso em companhia do advogado e ex-policial federal Gedimar Pereira Passos. A dupla estava em poder de R$ 1,7 milhão, que supostamente seria utilizado na compra do dossiê. Quem venderia o material era Paulo Roberto Dalcol Trevisan, tio do empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam, empresa que lidera o esquema de compra de veículos superfaturados com dinheiro público, investigado pela CPI dos Sanguessugas.
O juiz da 2 Vara Federal do Mato Grosso, Marcos Alves Tavares, negou ontem o pedido de prisão do assessor especial da Presidência Freud Godoy, demitido do cargo por envolvimento com a compra de dossiê que envolveria o candidato do PSDB ao governador de São Paulo, José Serra, com a máfia dos sanguessugas. Independente de Freud ter culpa ou não no episódio, o juiz entendeu, no despacho, que prisão, solicitada pelo Ministério Público Federal, só cabe quando é imprescindível à investigação e o acusado tem residência fixa e se apresentou espontaneamente à polícia.
O juiz mandou soltar também os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos, presos num hotel em São Paulo com R$ 1,75 milhão, dinheiro que serviria para a compra do dossiê anti-Serra, conforme mostram diálogos telefônicos interceptados pela Polícia Federal com autorização judicial. Só Vedoin continua preso por ter violado o acordo de delação premiado e ocultado provas essenciais ao inquérito.

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