Curitiba - A disputa pelo comando do PMDB em Curitiba está longe de um desfecho. O Movimento Democrático de Base, liderado pelo candidato derrotado Eduardo Yochimitsu Fujikawa, entrou com um recurso na Corregedoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a anulação do resultado da convenção municipal, realizada no dia 26 de outubro. O grupo contou com 98 nomes na chapa e teve apenas 50 dos 4,9 mil votos previstos.
De acordo com Luiz Antunes Rodrigues, um dos integrantes da chapa e militante do PMDB desde a década de 60 (no antigo MDB), a convenção violou princípios éticos, políticos e eleitorais. ''Não podemos aceitar que outro partido tenha ingerência sobre o PMDB, ditando nomes e costurando alianças com um ano de antecedência'', reclamou Antunes, referindo-se ao PT. Ele acusa a Petrobras e a Itaipu Binacional de terem financiado a campanha do grupo vitorioso, comandando por Doático Santos. Ambas são vinculadas ao governo federal e comandadas por indicações petistas. Prova disso, segundo Antunes, teria sido a locação de 150 carros da GCI empreiteira terceirizada da Petrobras que teria funcionado como ''laranja'' para o transporte de eleitores até a votação.
O transporte teria sido financiado pela Itaipu Binacional. ''Temos as notas do pedido de serviço que já estão anexadas ao processo'', afirma ele. Um processo com 180 páginas foi encaminhado para Brasília. Tanto a Petrobras como a Itaipu Binacional teriam interesse em selar o acordo entre o PT e o PMDB para as eleições do ano que vem em Curitiba, tendo como cabeça de chapa o deputado estadual Angelo Vanhoni (PT).
Doático Santos nega que tenha recebido recursos para a campanha municipal do PMDB. ''Isso é uma brincadeira de mau gosto'', disse ontem irritado. Doático acusou o grupo de Fujikawa de fraudar a assinatura de 12 filiados do partido para registrar a chapa no diretório municipal. Ele pretende instalar um procedimento administrativo no conselho de ética para expulsar os dois do partido. ''Eles vão ser varridos do partido a bem da ética'', enfatizou Doático. Antunes rebate. ''Ele não tem argumento de defesa e vem com acusações falsas. A acusação não procede.''
O diretório estadual do PMDB também recebeu recurso pedindo a anulação da convenção municipal. Apesar de se declarar oposição ao grupo de Doático, Gustavo Fruet, presidente estadual do PMDB, não vai colocar o assunto em pauta este ano. Ele vai deixar que a nova executiva estadual, que será escolhida dia 14, julgue o fato. ''Sou contra a convenção. Por isso não é ético participar dessa discussão nesse momento'', declarou Fruet.

mockup