Os presidentes dos TRTs (Tribunais Regionais do Trabalho) afirmaram ontem, em nota divulgada em Porto Alegre, que ‘‘a primavera democrática acabou’’, referindo-se à aprovação da CPI do Senado sobre o Poder Judiciário. Enquanto 22 presidentes e corregedores de TRTs divulgavam a nota, intitulada ‘‘A Orfandade da Cidadania’’, funcionários da Justiça realizavam uma manifestação na rua contra a CPI. Eles carregavam um boneco gigante com as inscrições ACM, FHC, FMI e Judas.
Os funcionários, que fizeram passeata e se concentraram no saguão de entrada do prédio TRT gaúcho, usavam um adesivo que dizia ‘‘sem Justiça do Trabalho, a gente vale R$ 1,99’’. Eles declararam querer impedir o surgimento de mais um movimento, o dos ‘‘sem-justiça’’. Os organizadores estimaram a presença de mil manifestantes durante a passeata e o ato.
Os presidentes dos TRTs (só não compareceram os da Bahia e Ceará) disseram que, ‘‘no momento em que se ameaça a autoridade judiciária, colocam-se em risco as instituições do país e deixa-se sob orfandade todos aqueles que estão sofrendo lesões aos seus direitos e garantias’’. Alertaram que há perigo de ‘‘ruptura das instituições’’.
A nota seria enviada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello. O presidente do Colégio de Presidentes e Corregedores dos TRTs, Vicente Malheiros da Fonseca, do Pará, disse que é hora de Mello ‘‘exercer a defesa da jurisdição’’.

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