TRT-SP nega aposentadoria a Nicolau
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terça-feira, 19 de dezembro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) negou ontem a concessão de liminar no mandado de segurança impetrado pelo advogado Alberto Zacharias Toron para tentar restabelecer o pagamento de aposentadoria ao ex-juiz Nicolau dos Santos Neto. O pagamento de R$ 15.748,48 (R$ 10.735 líquidos) ao ex-juiz havia sido suspenso desde 23 de outubro, por determinação do presidente do tribunal, Francisco Antonio de Oliveira.
O TRT entendeu que Nicolau havia feito o recadastramento dos funcionários inativos para continuar a receber os proventos por meio de uma procuração considerada em desconformidade com as disposições legais. Ele estava foragido durante o período do recadastramento. Nicolau teria cometido outra ilegalidade ao receber os proventos em conta conjunta com a mulher, em uma agência do Banco do Brasil.
O pedido de liminar negado pelo juiz João Carlos Araújo visava retomar o pagamento da aposentadoria a partir de quarta-feira, dia em que os inativos recebem. Araújo negou o pedido de liminar com base na lei 5.021 de 9/6/66, que afirma: Não se considera medida liminar para efeito de pagamento de vencimentos e vantagem pecuniária. Toron havia alegao que a aposentadoria era um direito líquido e certo e que Nicolau tem mais de 50 anos de serviços prestados à coletividade.
O procurador-geral do Trabalho, Guilherme Mastrichi Basso, pediu ao TRT a abertura de processo administrativo disciplinar contra Nicolau, que poderá resultar na cassação de sua aposentadoria. O procurador afirma que a aposentadoria precisa ser cassada. Para ele, com a simples suspensão, o pagamento poderá ser restabelecido a qualquer momento.
O juiz aposentado chegou a ser investigado pelo TRT em inquérito administrativo, mas o tribunal arquivou o caso. Basso quer que o órgão reabra o caso e transforme o inquérito em processo. O objetivo é apurar a eventual prática de atos de improbidade administrativa na gestão dele como presidente do tribunal, quando começou a construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, em que teriam sido desviados R$ 196 milhões. Algumas das punições previstas são perda da função de juiz e cassação da aposentadoria.
A mulher de Nicolau, Maria da Glória Bairão dos Santos, vai ser a primeira pessoa a ser ouvida no inquérito que investiga quem ajudou o ex-juiz a se manter foragido durante 227 dias. A PF acredita que Maria da Glória passou a maior parte do tempo com Nicolau. Ela deve ser ouvida no dia 27.
O inquérito está sendo presidido por José Pinto de Luna, delegado que atuou na chefia da equipe de busca ao juiz aposentado. Francisco Antonio de Azevedo namorado de Maria Inês Bairão dos Santos, filha de Nicolau também deverá ser ouvido pela polícia, mas ainda não há data marcada.


