Tropa de choque do PMDB trabalha pela reeleição
O comando governista do PMDB formou uma tropa de choque para evitar que o carnaval prejudique a mobilização feita para garantir a vitória da reeleição, não o lançamento de candidato próprio, na convenção nacional, em 8 de março. A cúpula do partido entrou em recesso, foi para o exterior, mas antes escalou três representantes em cada Estado para trabalhar o voto dos delegados da convenção e tratar do embarque e da hospedagem de todos em Brasília.
Nos reunimos para uma checagem geral e concluímos que não há mais o que fazer; agora é a vez dos grupos de trabalho que montamos para organizar a convenção nos Estados, disse o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), antes de viajar para Roma na quarta-feira, em companhia da mulher, do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e do líder do governo, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA).
Também está fora do Brasil o líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA). A linha de frente da reeleição no PMDB reúne pelo menos 15 deputados e senadores, três ministros de Estado (Justiça, Transportes e Políticas Regionais) e os oito governadores. A maioria, incluindo aí governadores que estão prestes a começar uma nova fase de governo, com a desincompatibilização de secretários que vão se candidatar às eleições gerais de outubro, está de folga.
Enquanto os goverenistas garantem sua superioridade, em Washington o ex-presidente Itamar Franco recebeu ontem um relatório otimista sobre a tendência dos votos dos convencionais de alguns diretórios regionais do PMDB. Eles vão definir, na convenção do próximo dia 8, em Brasília, se o partido lançará candidato próprio à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O levantamento foi preparado pelo advogado José de Castro Ferreira, do grupo de Juiz de Fora, e advogado-geral da União no governo Itamar. Pelos seus números, todos os 74 votos de Minas Gerais serão favoráveis à tese de que o PMDB lance candidato próprio.
A situação na Paraíba também é confortável para o ex-presidente. Dos 48 votos, 42 serão favoráveis para que o partido tenha candidato. Em São Paulo, 70% dos 80 votos iriam também nessa direção. No PMDB fluminense, segundo levantamento de Castro, 50% dos convencionais apóiam a chapa própria. Esta semana, Itamar recebeu o apoio formal do prefeito de Petrópolis, Leandro Sampaio.
Em Minas Gerais é de se esperar um apoio maciço a Itamar. O ex-governador Newton Cardoso, pré-candidato ao governo mineiro, está empenhado em convencer o ex-embaixador a disputar a Presidência da República. Newton Cardoso prefere evitar um confronto com Itamar no Estado, uma vez que ambos são filiados ao PMDB.





