Tropa de choque acompanha de longe
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quarta-feira, 29 de janeiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O governo decidiu na última hora desmobilizar seus ministros e evitar um comparecimento maciço de sua tropa de choque no Congresso no dia da votação da emenda da reeleição. A tática demonstrou a preocupação do Palácio do Planalto em não criar problemas com o Legislativo. O governo avaliou que a ida dos ministros poderia repercutir mal entre os deputados e provocar irritações, num dia em que era preciso garantir os votos dos indecisos e rebeldes em favor reeleição.
O mesmo cuidado foi tomado pelos governadores aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso, que evitaram circular pelo plenário e principais pontos do Congresso. O que tinha de ser feito já fizemos, agora seria lobismo aparecermos no meio dos deputados que vão votar o nosso direito de reeleição, disse o governador gaúcho Antônio Britto (foto) a um amigo senador, que permaneceu no escritório de seu governo em Brasília até o início da discussão da emenda na Câmara.
Os ministros eram aguardados por 300 prefeitos no auditório Nereu Ramos da Câmara, onde realizavam um fórum em favor da reeleição para todos os níveis. Compareceriam os ministros Sérgio Motta (Telecomunicações), Paulo Renato Souza (Educação), Carlos Albuquerque (Saúde), Antônio Kandir (Planejamento) e Reinhold Stephanes (Previdência). O fórum estava previsto para começar às 14 horas, mas meia hora depois não havia nem sinal de ministro.
Antes não tivessem
prometido vir,
agora ficou muito
chato, diz Marchezan
Preocupados, os deputados tucanos Arthur Virgílio (AM) e Nelson Marchezan (RS), que ajudaram a organizar a manifestação, começaram a telefonar para os Ministérios. Souberam, então, que os ministros não iriam, por ordem do Palácio do Planalto, depois de uma ponderação do ministro Paulo Renato de que os parlamentares poderiam se sentir atropelados pelo Executivo.
Pegou mal, disse indignado o deputado Carlos Melles (PFL-MG), que marcava presença no fórum. Antes não tivessem prometido vir, agora ficou muito chato, lamentou Marchezan. O total constrangimento dos deputados serviu pelo menos para levar ao fórum, já no final da tarde, o ministro Stephanes, para dar uma satisfação aos prefeitos.
Os governadores atuaram em encontros reservados com suas bancadas e encontros nos gabinetes. Até o final da tarde, os governadores Garibaldi Alves (RN), Paulo Afonso Vieira (SC) e Roseana Sarney (MA) foram os únicos vistos nos corredores do Congresso. A governadora maranhense Roseana Sarney (PFL) tratou de garantir, num almoço em sua residência, 12 votos de sua bancada de 13, em favor da reeleição.
O governador Mário Covas só desembarcaria no plenário da Câmara por volta das 19 horas. Covas, que esteve em Brasília na noite de segunda-feira, ficou preso em São Paulo durante todo dia tratando dos problemas das chuvas que atingiram a cidade.


