A convenção estadual do PFL, ontem em Curitiba, foi marcada por uma troca diplomática de farpas entre o governador Jaime Lerner e o deputado federal Abelardo Lupion. O verniz era de unidade, mas a queda-de-braço entre os dois não foi deixada de lado nos discursos como planejavam os setores pacificadores do PFL. Lupion manifestou em sua fala o descontentamento por ter sido vetado pelo Palácio Iguaçu, a pedido de Lerner, na briga pelo comando do partido, que acabou nas mãos do ex-governador João Elísio Ferraz de Campos.
Lupion, que teve de se contentar com a vice-presidência, cobrou de Lerner mais empenho em favor do PFL. ‘‘O governador, quando exerceu a sua opinião de achar que não sirvo para ser presidente, assumiu uma responsabilidade com o partido. Vai ter que atender a cada um dos senhores que estão aqui e que o ajudaram a chegar no Palácio’’, declarou ele.
Kraw PenasCobrançaLupion: ‘‘O governador assumiu uma responsabilidade com o partido. Vai ter que atender a cada um dos senhores que estão aqui e que o ajudaram a chegar no Palácio’’Sobre a ameaça feita por Lerner de deixar o PFL, caso as exigências de Lupion se sobressaíssem, o deputado mandou recado: ‘‘Antes de deixar o PFL eu deixaria a política. Só podemos fazer um partido se assumirmos um compromisso partidário’’.
Em seu discurso, Lerner disse estar oferecendo um abraço para Lupion. Para o governador, nem sempre é possível conseguir a unanimidade. Lerner assumiu a tese de que Lupion não era o melhor nome para o comando estadual - sem citar nomes - e enalteceu a fórmula engendrada pelo presidente da Assembléia, Aníbal Khury, de indicar João Elísio, tido como nome de consenso.
‘‘As palavras do Lupion mostram muita maturidade. Espero que isso sirva para consolidar essa soma que eu defendo’’, avaliou o governador depois da convenção que elegeu o diretório e a executiva por aclamação. Lerner fez a defesa de seu ponto de vista ao lado da mulher, a secretária da Criança e primeira-dama Fani Lerner, confirmada na segunda vice-presidência.
O tom do discurso de Lupion foi previamente combinado entre os deputados federais que integram a bancada do PFL na Câmara. O líder da bancada Joaquim dos Santos Filho usou a tribuna, antes de Lerner e Lupion, para também cobrar do governador mais atenção ao partido. ‘‘Falta dedicação. Ele (Lerner) precisa receber mais as pessoas e prestigiar os companheiros. Em quatro anos isso não aconteceu’’, reclamou Santos Filho.
O prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, e o ministro de Esportes, Rafael Greca, deixaram as diferenças de lado para atuar como ‘bombeiros’. Greca brincou com Lupion. Pediu à sua assessoria que entregasse um livro de Maquiavel ao deputado. Taniguchi elogiou em seu discurso não só Lupion como os outros sete deputados federais. ‘‘O deputado Lupion teve um gesto magnânime. É uma figura reveladora e competente’’, assinalou. ‘‘Temos um governador que pensa nos municípios. Que está desenvolvendo o Estado como um todo, dando atenção aos prefeitos’’, emendou Taniguchi para um platéia de cerca de 200 pefelistas que encerraram a convenção às 13 horas.

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