Troca de farpas na prestação de contas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
"Farpas"
Durante a prestação de contas do terceiro quadrimestre de 2018 na Assembleia Legislativa na manhã dessa quarta-feira (27), a deputada estadual Maria Victória (PP) questionou o secretário estadual de Fazenda, Renê Garcia Júnior, sobre o que a mãe, a ex-governadora Cida Borghetti (PP), considerou recursos livres para sustentar que havia deixado o Paraná com R$ 5,1 bilhões em caixa. A deputada estadual citou valores que, segunda a então governadora, constariam como recursos de empresas como a Tecpar e o Detran. O secretário rebateu duramente ao dizer que a gestão Ratinho Júnior (PSD) não poderia contar com os valores citados. "Eu não vou entrar no debate do discurso de narrativas", repetiu. "A contabilidade é pública, é aferida e feita por um contador público, com fé pública e está lá. Eu não sou responsável pelo lançamento, o lançamento é feito pela contabilidade a partir da conciliação financeira", seguiu.
A "pressão" funcionou
Depois de ter sido retirado de pauta por duas sessões, o projeto de lei de autoria do Executivo que transfere da Secretaria Municipal de Obras para o Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano) a competência para analisar o licenciamento de novos loteamentos deve ser retirado novamente por mais oito sessões pelo líder do prefeito, o vereador Jairo Tamura (PR). A medida atende à vontade de entidades como o Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina) e o Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná), principais críticas da mudança.
Consequância da ZR3
A liberação de novos loteamentos com alteração pontual de zoneamento foi alvo da Operação ZR3, em janeiro de 2018, do Ministério Público, que apontou um esquema criminoso envolvendo 13 réus. Entre os agentes públicos denunciados estão dois vereadores afastados, empresários, ex-membros do CMC (Conselho Municipal da Cidade) e o ex-diretor da Loteamentos da Secretaria Municipal de Obras. Questionado pela FOLHA no final do ano passado, o presidente do Ippul, Roberto Alves de Lima, dissera que a medida também atende recomendação do MP para diminuir atribuições da pasta.
Ex-deputado condenado no STF
O ex-deputado federal pelo Paraná, Alfredo Kaefer (PP), foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão nessa terça-feira (26), em julgamento pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele foi considerado culpado por unanimidade pela concessão de empréstimos vedados por lei. Entretanto, o ex-parlamentar deve cumprir a pena em regime inicial semiaberto. A denúncia foi da PGR (Procuradoria Geral de República), que também alegou o uso de uma empresa laranja nas operações.
Queda de patrimônio
O ex-deputado não foi eleito em 2018. No perído de campanha, a FOLHA divulgou que o parlamentar teve queda drástica de patrimônio. Quando eleito em 2014, Kaefer declarou possuir R$ 108 milhões, mas quando tentou a reeleição, no ano passo, sua declaração ao TSE foi de R$ 1,3 milhão. À época , o parlamentar informou que uma decisão judicial decretou falência do Grupo Diplomata, da região de Cascavel, controlado por ele no setor do agronegócio. A medida acabou afetando outras empresas do grupo consideradas por ele "sadias".



