Troca de cartas revela fritura
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segunda-feira, 23 de março de 1998
Agência Estado 
Agência Estado
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Ato finalAlbuquerque, em sua última entrevista como ministro: sem mágoasA carta de demissão do ministro da Saúde, Carlos Albuquerque, e a resposta do presidente Fernando Henrique Cardoso atestam a fritura a que foi submetido o ministro nos últimos meses. Os últimos acontecimentos deixam-me constrangido, mas não gostaria de constranger Vossa Excelência, afirmou Albuquerque, dizendo-se obrigado a solicitar a exoneração na carta entregue ao presidente na sexta-feira. Fernando Henrique concordou: Agradeço sua preocupação ao poupar-me dos constrangimentos, que melhor teria sido não haver razões para eles.
Ontem o ministro demissionário disse que não estava magoado e nem procurava os responsáveis pelos constrangimentos pelos quais disse ter passado. Mas não negou a pressão. Todos os dias nossa equipe estava caindo e começou a haver um clima de intranquilidade, insegurança, recordou Albuquerque, na última coletiva à imprensa no cargo. Chegou um momento em que nossa permanência estava ficando constrangedora.
Albuquerque chegou a admitir a fritura, mas sem condenar ninguém. Os métodos e instrumentos que se usam nas cirurgias ou na política sempre são os mais adequados e, se foi essa a opção, deve ter sido a mais adequada, afirmou ele, dizendo-se ainda um aliado do governo. O ministro admitiu, contudo, que sua forma de trabalhar pode ter desagradado. Nossa estratégia foi de humildade, de trabalho, do jeito mineiro, sem pirotecnia, afirmou o ministro, admitindo que talvez seu estilo não combine com um ano eleitoral. Mas é o tipo de administração pela qual optei e não me arrependo, sustentou.
Segundo assessores próximos, o ministro ficou, sim, surpreso, com a falta de apoio para um trabalho que julgou competente. É como se todos estivéssemos comemorando o gol e, de repente, vem o apito dizendo que a equipe deve ficar fora, disse um dos integrantes de sua equipe.
O ministro sofreu ainda pela sua admitida falta de traquejo no meio político. Foi justamente por ser técnico e especialista em administração hospitalar que ele foi convidado por Fernando Henrique para o cargo há 15 meses.


