Curitiba - As regras rígidas dos debates eleitorais não impediram uma intensa troca de acusações entre os candidatos ao governo do Estado e diversos pedidos de direito de resposta, no primeiro debate entre os candidatos a governador, levado ao ar na noite de segunda-feira pela TV Bandeirantes. Os ataques deram o tom da campanha a partir de agora. Os candidatos chegaram ao estúdio da TV, no bairro Pilarzinho, dizendo que não iriam se agredir. Mas o clima cordial não durou muito.
O primeiro a lançar mão de artilharia foi Osmar Dias (PDT), logo no início do programa, sorteado para responder a questão feita pela produção do programa sobre o sistema de representação popular no Brasil, que estaria em crise. Osmar apontou itens como voto distrital, fidelidade partidária, fim do voto secreto e reeleição. Este último item serviu para alfinetar o governador Roberto Requião (PMDB), sentado ao lado. ''O candidato que está no poder acaba abusando'', disse, referindo-se à possibilidade de uso da máquina.
Mas quando o candidato Antônio Roberto Forte (PSL) foi responder à mesma questão sobre o sistema de representação popular, sobrou para Osmar rebater. Forte criticou os três atuais senadores do Paraná (Osmar Dias, Alvaro Dias e Flávio Arns, candidato a governador pelo PT) e disse que ''não sabe o que é que eles estão fazendo lá''. Osmar pediu direito de resposta, mas o pedido foi negado pela assessoria jurídica do programa, que não qualificou a crítica como ofensa pessoal.
Dos 11 candidatos ao cargo, oito compareceram ao debate, o primeiro desde o início das campanhas eleitorais. É que pela lei eleitoral precisam ser convidados os partidos que têm representantes na Câmara Federal. Ana Lúcia Pires (PRTB), Ivo de Souza (PCO) e Jorge Martins (PRP) não puderam participar do programa porque pertencem a legendas que não possuem representatividade em Brasília.
No segundo bloco do programa, candidato perguntava para candidato. Os escândalos do mensalão e sanguessugas serviram de pano de fundo para mais provocações. Luiz Adão (PSDC) concentrou a artilharia no petista Flávio Arns e perguntou se Arns usaria os mesmos métodos do seu partido para governar o Paraná. Arns disse que sim, pois o Brasil estaria assistindo, segundo ele, a um desenvolvimento extraordinário.
Antonio Roberto Forte (PSL) atacou o vice de Osmar, Derli Donin, dizendo que ele seria alvo de ações na Justiça. O vice foi defendido por Osmar, que chamou Forte de ''precipitado'', pois nada foi julgado. Ao longo do debate, Forte tentava ainda se defender das acusações de que estaria fazendo papel de ''ventríloquo'', o que acabaria beneficiando o candidato do PMDB. Osmar perguntou a Forte sobre o fato de o pedágio não ter acabado nem baixado de preço, como falara Requião durante a campanha em 2002. ''O pedágio foi criado pelo grupo do (ex-governador Jaime) Lerner, mesmo grupo que hoje está aí com o senhor'', disparou Forte.
Melo Viana, do PV, radicalizou ao levantar os escândalos de corrupção, lembrando dos episódios de dólares na cueca, mensaleiros e sanguessugas. Nem o ''estômago'' do candidato do PT foi poupado. Mas Viana mirou primeiro no candidato da coligação Voto Limpo (PPS/PFL), Rubens Bueno (PPS). ''Quantos litros de água sanitária serão precisos para manter o voto limpo?'', atacou Viana, acrescentando que não entende o discurso do pepessista, que no passado criticava o pefelista Cassio Taniguchi, ex-prefeito de Curitiba. ''Como explicar ao eleitor que comunistas estão unidos com neoliberais?'', disse. Ao rebater, Rubens enfatizou seu apoio ao candidato a presidente Geraldo Alckmin, da coligação PSDB/PFL. Na sequência, Melo Viana atacou Flávio Arns. ''O senhor não sente vontade de vomitar quando vê isso?'', provocou Viana. ''Essas denúncias já ocorriam no governo anterior, mas as CPIs não eram criadas porque o governo articulava contra'', defendeu Arns.
Depois Melo Viana sugeriu que a campanha eleitoral de Flávio Arns teria sido financiada por uma empresa pertencente à ''máfia do lixo em São Paulo''. ''Estranho o posicionamento do candidato, porque está tudo transparente'', disse o petista. ''Ele está dizendo que eu menti'', protestou Melo Viana. Mais tarde, Melo Viana também atacou Osmar, dizendo que o pedetista estava coligado com partidos envolvidos nos escândalos do ''mensalão'' e dos ''sanguessugas''.

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