BRASÍLIA (AE) - A filha engajada, o engenheiro alienado e o liberal-socialista formam o trio de deputados que hoje deve ser expulso do PT. A gaúcha Luciana Genro, de 32 anos, o paraense João Batista de Araújo, o Babá, de 50, e o sergipano João Fontes, de 45, têm histórias muito diferentes.
Em 1981, Luciana tinha 10 anos quando Babá, sindicalista ligado à CUT, participava da fundação do PT. Nesta época, o advogado João Fontes era funcionário da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe. Não tinha filiação partidária, o que só aconteceria em 87, quando teve uma passagem de menos de um ano pelo PL. Passou dois anos no PSB, entre 96 e 98, e em 99 ingressou no PT.
Embora seja, dos três rebeldes, o mais experiente na política partidária, Babá não queria saber do assunto na juventude. A engenharia mecânica e, mais tarde, a especialização em energia solar, dominavam seu mundo. Quando concluiu a pós-graduação no Instituto de Tecnologia de Aeronáutica (ITA), em São Paulo, tornou-se professor da Universidade Federal do Pará e abriu os olhos para o sindicalismo e, mais tarde, para o PT.
Luciana, ao contrário, vivia a política em casa, por meio do pai, Tarso Genro, ex-prefeito e hoje ministro. Em 94 tornou-se a deputada estadual mais jovem do Rio Grande do Sul. Integrante do diretório, Tarso Genro não votará hoje. ''Não vou julgar minha filha.''
As votações contrárias à orientação do PT e as críticas ao governo levaram os deputados a julgamento. Nada irritou tanto o comando PT, porém, como a atitude de Fontes. Foi ele quem resgatou o vídeo de 1987 em que Lula chamava de ''ladrão'' o atual presidente do Senado e aliado, José Sarney.

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