O número de envolvidos no suposto esquema de corrupção na Receita Estadual de Londrina investigado desde julho do ano passado – há mais de um ano, portanto – pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) está perto de duas centenas, conforme consta de duas ações penais resultantes da primeira e segunda fases da Operação Publicano, e não para de crescer.
A terceira fase, afirma o promotor Renato de Lima Castro, envolve pelo menos 30 pessoas, incluindo novos nomes de empresários e auditores. Até agora, são rés nas duas ações 198 pessoas, sendo 63 auditores de Londrina, de cidades da região e de Curitiba – a investigação revelou que a cúpula da Receita, que trabalhava na capital, figurava no topo da hierarquia da organização criminosa que cobrava propina de empresários para deixar de fiscalizar o recolhimento de impostos estaduais, especialmente ICMS. Ao todo, 78 empresas estão envolvidas nas duas primeiras fases da Publicano.
"Nesta terceira fase, temos novos investigados – outros empresários que pagaram propina para a organização criminosa e novos fiscais. Os crimes apurados são formação de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro", afirmou o promotor de Defesa do Patrimônio Publico, Renato de Lima Castro. "Também estamos nos dedicando a analisar a evolução patrimonial dessas pessoas que enriqueceram ilicitamente a custo de recebimento de propina."
A última ação da Publicano foi protocolada em 30 de junho e, desde então, o Gaeco segue analisando documentos apreendidos e ouvindo testemunhas ou investigados. O grupo também confronta informações repassadas pelo auditor Luiz Antonio de Souza que fez acordo de delação premiada com os promotores, entregou colegas e confessou crimes.
Outro ponto da investigação, revelou Castro, é cobrança de propina em postos fiscais localizados nas rodoviais do Estado. Nesses locais, auditores recebiam propina de caminhoneiros que transportavam mercadorias sem o recolhimento devido de impostos. Já havia um acordo prévio com as empresas para liberar a carga mediante pagamento de vantagem indevida aos auditores.

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