Tributarista aponta ilegalidades do Fundo
Pedro Livoratti
De Londrina
A proposta apresentada pelo senador baiano pefelista Antonio Carlos Magalhães esbarra em problemas legais que podem gerar inúmeras ações questionando pontos polêmicos que, de acordo com a estimativa de seu autor, deve gerar de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões por ano. Entre os questionamentos, está a ilegalidade de aumento de alíquota de impostos e também na imposição de mais uma contribuição obrigatória para assalariados e empresas.
A legislação não permite vinculação entre arrecadação e destinação de impostos, afirma o advogado tributarista, Enrico Rodrigues de Freitas, do Escritório Romeu Saccani, de Londrina. Pela proposta apresentada pelo senador ACM, o Imposto de Renda, o Imposto de Importação e IOF teriam percentuais voltados para o fundo.
Outra fragilidade apontada pelo tributarista é quanto à contribuição obrigatória de assalariados e de empresas. Os novos tributos teriam de ser aprovados pelo Congresso, mas, segundo Freitas, esbarrariam na legislação porque têm caráter confiscatório. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem entendido dessa forma os descontos da previdência dos funcionários federais, compara.
Outro argumento que reforça a tese da ilegalidade destes novos tributos é que tanto trabalhadores como empresas já recolhem à Previdência Social, que tem a mesma finalidade do Fundo de Combate à Pobreza. É inconstitucional porque não se pode criar uma contribuição que tenha a mesma destinação. No caso, a contribuição previdenciária já financia a seguridade social que engloba a assistência social, afirma ele.
Para o advogado, estes impostos propostos por Antonio Carlos Magalhães não podem ser criados nem através de emenda constitucional. É uma cláusula pétrea, portanto não pode ser alterada. Não pode haver duplicidade de contribuição sobre a mesma fonte de custeio, afirma.





