Brasília A maior disputa em torno da Reforma Tributária se dará no Senado, onde cada Estado tem o mesmo peso, ou seja: três senadores e três votos. Na chamada casa revisora, cada Estado ou região lutará para conseguir mais dividendos na partilha do bolo tributário. Os líderes governistas na Câmara esperam que a proposta seja aprovada logo e afirmam que o governo admite negociar pontos dela no Senado, mas sem dizer quais serão. As informações são da Agência Brasil.
O governo não concorda em alterar a estrutura básica da reforma, que segundo o vice-líder do governo, deputado Professor Luizinho (PT-SP), consiste na desoneração da produção, o não aumento de carga tributária, a redução dos impostos para os mais pobres, a unificação da legislação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a manutenção da CPMF, o imposto do cheque, da Desvinculação das Receitas da União (DRU), entre outros pontos que formam a espinha dorsal da proposta e são essenciais para a retomada do crescimento econômico.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que as reformas tributária e previdenciária não são do governo, mas dos brasileiros. Baseado nesse raciocínio, as duas propostas foram amplamente debatidas e modificadas na Câmara. Para se chegar ao texto atual da reforma tributária, inúmeras negociações foram feitas com governadores, prefeitos, empresários, sindicalistas e com os partidos políticos, quando o governo teve que ceder para aprovar a proposta.
No Senado, o governo sofrerá mais pressões para alterar a reforma tributária e terá novamente que ceder principalmente ao movimento articulado de governadores e prefeitos, que querem mais recursos. Além disso, enfrentará a oposição firme do PFL, que tem 18 senadores; do PSDB que tem 11 e também do PDT, que tem 5 senadores. Juntos, os três partidos formam uma bancada de 34 senadores e poderão dar muito trabalho ao governo, que precisará dos votos de no mínimo 54 dos 81 membros da Casa para aprovar a reforma.
O recado do deputado Professor Luizinho, principalmente para os prefeitos que querem mais recursos para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), é que a reforma tributária não é para a partilha do bolo: ''é para a retomada do desenvolvimento, do crescimento econômico, da geração de emprego e do aumento da base de arrecadação e consequentemente da arrecadação''. Ele observa que com o aumento esperado da arrecadação, estados e municípios ganharão mais.

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