Tribunal revoga prisão de outro delegado
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Apenas oito dos 14 policiais presos em consequência das denúncias de envolvimento com o crime organizado, feitas durante a CPI do Narcotráfico no Paraná permanecem detidos. Ontem, o Tribunal de Alçada revogou a prisão preventiva (decretada no dia 6) do delegado Kiyoshi Hattanda. Durante o período, somente o mandado de prisão do ex-delegado geral João Ricardo Képes Noronha não foi cumprido. Na terça-feira, por 3 votos a zero, o TA concedeu habeas-corpus que revogou a prisão do delegado. Ao todo, 37 policiais foram acusados de envolvimento com o crime organizado nos depoimentos da CPI.
No dia 1º de março, a Secretaria de Segurança determinou o afastamento de 24 policiais e, anteontem, anunciou que já encaminhou a abertura de processos disciplinares contra os delegados Noronha, Hattanda, Paulo de Castro Neto e Mário Ramos, e mais 13 policiais indiciados em inquéritos criminais. Os investigadores que continuam presos, Mauro Canuto Castilho e Souza, Marcos Antônio Germano, Altair Ferreira (Taíco), Samir Skandar, Reginaldo Moreira, Edmir da Silveira, Paulo César Rodrigues e Homero Andretta Baggio. E os que já estão em liberdade, Ezequiel de Barros, Osvaldo Alves da Veiga, Moacir Albuquerque e Edson Clementino da Silva. O policial Geraldo Lourenço, também afastado, terá seu processo analisado hoje pelo Conselho da Polícia Civil.
Até o encerramento dos processos, nenhum desses policiais pode exercer o cargo e receberá apenas metade do salário. É o caso do delegado Noronha, que ainda responde no âmbito da Secretaria da Administração a três processos administrativos quebra de hierarquia, por não comparecer para depor na CPI do Narcotráfico; não aparecer para prestar depoimento à comissão criada pelo governo para o caso e por abandono de emprego.
O delegado Newton Tadeu Rocha e os investigadores Elias Pereira Soares, Silas Gilmar de Miranda, Luiz Rogério Gonzales, Elisiário Rodrigues da Silva, Paulo Rodrigues da Silva, Rogério Podolak Pencai, Alexandre Gonçalves, Volga Miriam da Silva, Marcos Terra Santana e Valdomiro Pereira Costa, afastados pelo governador Jaime Lerner no dia 1º de março, estão à disposição do Grupo Auxiliar de Recursos Humanos (GARH), e são obrigados diariamente a assinar ponto nessa repartição. O salário deles também foi reduzido pela metade. Os delegados Noel Francisco da Silva e Gerson Alves Machado, que foram afastados no mesmo dia, já foram liberados para o trabalho, respectivamente, no 7º e 3º Distritos Policiais, em Curitiba. Contra eles não se levantou nenhuma prova.
Um dos policiais que tiveram prisão temporária decretada, Paulo César Serafim, foi solto por não ter sido reconhecido pelas testemunhas que o denunciaram. Por falta de provas, Ezequiel de Barros também foi libertado. Além de Noronha e Hattanda, habeas-corpus revogando a prisão temporária foram alcançados pelos policiais Edson Clementino da Silva, Moacir Alves Albuquerque e Osvaldo Alves da Veiga.
Os policiais presos ficaram na DFRV da Vila Izabel, mas a maioria foi transferida para o Presídio do Ahu. Os investigadores Samir Skandar, Reginaldo Moreira e Edmir da Silveira estão presos na PF.





