Tribunal não teve acesso a sigilo bancário
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sexta-feira, 09 de março de 2001
De Curitiba 
As investigações do TCE em Londrina não foram tão aprofundadas quanto em Maringá (que incluíram acesso a cheques da prefeitura, endossados pelo ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi) porque os técnicos não tiveram acesso à quebra do sigilo bancário dos envolvidos. Essa foi a justificativa apresentada ontem pelo presidente do TCE, Rafael Iatauro, para o fato do órgão ter detectado irregularidades nas contas sem apontar possíveis beneficiários.
Sem esse instrumento não pudemos comprovar se os valores foram embolsados indevidamente. Infelizmente o TCE não tem poder de quebrar o sigilo bancário, lamentou. No caso de Maringá, onde foram comprovados desvios de R$ 54 milhões na gestão do ex-prefeito Jairo Gianoto (1997-2000), o TCE atuou a pedido do Ministério Público, por isso teve acesso à quebra do sigilo. Isso teria facilitado muito nossas investigações. Poderíamos estudar a conta corrente de cada envolvido e descobrir quem recebeu o dinheiro, admitiu o técnico responsável pelas investigações, José Rubens Cafareli.
Depois de se confessar estarrecido com o desvio de Maringá, divulgado em janeiro, Iatauro não se mostrou assustado com as irregularidades de R$ 70,9 milhões em Londrina. Nem me assusto mais com esse tipo de coisa. Ele disse que o TCE não tinha a filosofia de divulgar informações que fossem desagradáveis para não assustar a população. Mas a imprensa cobra, a população cobra. Além disso, a própria Lei de Responsabilidade Fiscal exige transparência.
Ele acrescentou: Os tempos mudaram. A população está mais atuante e exige transparência. O Tribunal tem que atender ao apelo da sociedade. Iatauro se comprometeu a fazer a divulgação de contas porque é melhor falar que deixar que especulem. Na avaliação do presidente do TCE, a demora para tornar públicas as contas de 98 e 99 pode ser considerada normal. Não deveria ser, mas é, disse. Mas isso vai mudar, prometeu. (M.D.)


