Curitiba - O desembargador Vidal Coelho, que assumiu interinamente a presidência do Tribunal de Justiça (TJ) na semana passada, revogou a realização de 15 concursos públicos que abririam 169 novas vagas nos cargos de analista de sistemas, assistente social, bibliotecário, dentista, economista, jornalista, médico, psicólogo, assessor jurídico, auxiliar de enfermagem, técnico em computação, agente de conservação, agente de serviços gerais, copeiro, telefonista e ascensorista.
A decisão foi tomada no dia 24 de junho, tendo como base a necessidade da criação de novas 1,9 mil vagas por conta da aprovação na Assembléia Legislativa do Código de Divisão e Organização Judiciária (CODJ), que cria cartórios e juizados especiais em todo o Paraná. Deverão ser realizados concursos entre os meses de agosto e setembro para os cargos vinculados aos juizados especiais e novos cartórios nas áreas de inquéritos policiais, criança e juventude, execuções penais e corregedoria de presídios.
Vidal Coelho argumentou que teria que fazer a revogação dos concursos previstos anteriormente já que teria que priorizar as novas serventias que estão sendo criadas no interior do Estado. Ele lembrou que a situação atual do TJ de vagas pendentes, e que precisariam ser preenchidas, poderia ser aliviada com a recente contratação de 152 técnicos judiciários, oficiais judiciários, engenheiros, arquitetos, contadores e desenhistas através de concurso público. Apenas não foi anulado o concurso recente para juiz que abriria 50 vagas. Inicialmente o concurso chegou a ser questionado por juízes ligados à Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) sob suspeita de favorecimento de candidatos. Entre eles, parentes de magistrados.
''Havia um mal-estar por causa dos boatos que estavam sendo gerados na imprensa. Pedimos transparência no processo seletivo'', afirmou Gilberto Ferreira, presidente da Amapar. Com a segunda fase do concurso e a aprovação de apenas 17 pessoas (nenhuma delas parente de desembargador), as dúvidas teriam sido dissipadas. ''Passou um filho de magistrado aposentado e que teve excelentes notas na Escola de Magistratura. Ninguém mais. Isso fez com que a gente apostasse na lisura do processo. Acho que quando existe suspeita temos que averiguar e foi isso o que fizemos no TJ'', declarou Ferreira.
A assessoria de imprensa do TJ informou que todos os concursos são acompanhados pela população através do site na internet. Até agora, não houve qualquer contestação judicial dos concursos com relação a supostas irregularidades. No caso do concurso de juízes, que está na segunda fase, os concorrentes ainda terão que passar por outros quatro exames seletivos antes da nomeação. As provas seriam de alta complexidade, o que faria com que o número de vagas nunca fosse completamente atingido. ''Sobram vagas'', argumentou a assessoria.

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