Curitiba - Cinco dos seis ex-diretores do Banco do Estado do Paraná (Banestado) que foram presos por determinação da 2 Vara Federal Criminal de Curitiba conseguiram habeas corpus e saíram da prisão especial que estava sendo cumprida desde o último dia 3 no Centro de Observação e Triagem (COT) da Prisão Provisória de Curitiba (PPC).
Os três primeiros a serem liberados foram o ex-diretor de Operações de Câmbio e ex-vice-presidente Aldo de Almeida Júnior; o ex-gerente da Carteira de Câmbio do Banestado em Foz do Iguaçu Benedito Barbosa Neto; e o ex-gerente da agência de Foz do Iguaçu Luiz Acosta. O despacho foi proferido na tarde de anteontem.
Tendo em vista o habeas corpus do Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre, o juiz Sérgio Moro, da Vara Federal Criminal de Curitiba, relaxou ontem as prisões do ex-assessor da Diretoria de Câmbio José Luiz Boldrini e do ex-gerente da agência de Foz do Iguaçu Carlos Donizeti Sprícido. No despacho, Moro reforçou que a decisão foi tomada com a ''discordância pessoal dele''. Moro indeferiu apenas os pedidos de revogação das prisões decretadas contra o ex-diretor de Finanças e Controle do Banestado Alaor Alvim Pereira e o ex-diretor de Câmbio Gabriel Nunes Pires Neto, preso desde novembro do ano passado.
Moro entendeu que nos dois casos existem peculiaridades que impediriam a revogação da prisão preventiva. Pereira por estar foragido e Pires Neto por manter depósitos no Exterior, o que poderia representar risco de fuga. Os seis ex-diretores do Banestado são acusados pelo Ministério Público (MP) federal de remessa ilegal de dinheiro para o exterior através das chamadas contas CC-5. Eles foram denunciados em agosto de 2003. Segundo a denúncia, entre os anos de 1996 e 1997, cerca de US$ 1,9 bilhão teriam sido enviados ilegalmente para fora do Brasil.
A Polícia Federal (PF) estima que mais de US$ 30 bilhões podem ter sido enviados ilegalmente para o exterior, especialmente através da agência do Banestado em Foz do Iguaçu.
A defesa dos acusados alegou que a prisão preventiva não tinha fundamentação jurídica. Nenhum dos denunciados possui, segundo os advogados, conta no Exterior. Portanto, não existiria risco de fuga do País. ''O Aldo (de Almeida) é advogado há 42 anos. Nada leva a crer que ele se furtaria de depor em ação judicial'', afirmou o advogado Alcides Bittencourt Pereira. ''O Benedito (Barbosa Neto) atendeu todos os chamados processuais, é réu primário. Não havia argumento para mantê-lo preso'', considerou o advogado Domingos Caporrino Neto.
O advogado de Alaor Alvim Pereira, Francisco Assis do Rêgo, informou ontem que o TRF deve analisar o pedido de habeas corpus feito pela defesa na quarta-feira. Ele também argumenta que não existem motivos suficientes para a pretensa prisão do acusado, que está foragido.

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