Curitiba - O desembargador Edgard Lippmann Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF), proibiu ontem a retransmissão da ''escolinha'' na Rede Mercosul (Canal 21), de propriedade do secretário especial do governo do Paraná Luís Mussi, caso o conteúdo do programa contenha ''promoção pessoal ou afrontas praticadas'' pelo governador Roberto Requião (PMDB), conforme despacho. A decisão é mais um capítulo na guerra travada entre o peemedebista e o desembargador, que no último dia 8, a pedido do Ministério Público Federal, proibiu Requião de usar a Rádio e Televisão Educativa do Paraná (RTVE), que veicula semanalmente a ''escolinha'', para fazer promoção pessoal e ofender imprensa, adversários políticos e instituições.
Na semana passada, na primeira ''escolinha'' veiculada depois do dia 8, Requião ironizou a decisão do desembargador: a TV Educativa cortava o som do governador quando ele se manifestava na ''escolinha'' e inseria a palavra ''censurado'' na tela. A mesma ''escolinha'', entretanto, era retransmitida no Canal 21, sem corte de som. ''Evidentemente que tal abuso merece ser coibido, haja vista o manifesto propósito em burlar a decisão antes referida, permitindo-se que o governador do Estado continue a impunemente destilar suas sandices'', escreveu o desembargador no despacho de ontem.
Por conta da ironia, na última sexta-feira o mesmo desembargador já havia aplicado também uma multa de R$ 50 mil contra Requião e obrigado a veiculação amanhã, na TV Educativa, a cada 15 minutos, da nota de desagravo emitida pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) no último dia 16. Na nota, a Ajufe defende o desembargador. Ontem, a Procuradoria-Geral do Estado informou que entrou com um mandado de segurança no TRF contra a veiculação da nota, alegando ''prejuízos irreparáveis à programação da emissora''.

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