O juiz Vilson Darós, da 2ª turma do Tribunal Regional Federal (TRF), em Porto Alegre, pode julgar hoje o pedido de habeas-corpus do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi. Preso desde o início de dezembro, Paolicchi é acusado de comandar o desvio de recursos da Prefeitura de Maringá, que pode chegar a R$ 100 milhões. O julgamento do recurso já foi transferido por duas vezes porque o juiz entendeu necessitar de informações sobre o processo.
Na semana passada, Daros decidiu adiar a decisão depois de receber informações sobre a autuação de Paolicchi pela Receita Federal, por sonegação fiscal. Até então, existia apenas a suspeita de sonegação, que acabou gerando a denúncia de desvios na Justiça Federal. O juiz entendeu também que sem pedido de liminar, como optou a defesa do ex-secretário, o habeas-corpus poderia ser julgado a qualquer momento. ‘‘Se Paolicchi for liberado com certeza ele vai falar com a imprensa’’, prometeu ontem um dos advogados dele, Moisés Zanardi.
Caso o TRF negue o pedido de liberdade do ex-secretário, uma entrevista dependeria de autorização da Justiça, alegou o advogado. Ele não adianta se Paolicchi tem mais alguma coisa a revelar, depois que acusou lideranças políticas de terem se beneficiado do esquema de desvios da prefeitura. Entre os citados está o governador Jaime Lerner (PFL), o senador Álvaro Dias, os deputados Ricardo Maia (PST) e Serafina Carrilho (PL), além de vereadores de Maringá.
Zanardi revelou ainda que Paolicchi tem recebido poucas visitas, o que é confirmado pelo comando do 4ª Batalhão de Polícia Militar, onde o ex-secretário está preso. O tenente Carlos Henrique Cardoso disse que poucas pessoas além dos advogados e o funcionário que leva as refeições de Paolicchi tem pedido autorização para visitas. Paolicchi também não tem tomado banho de sol, autorizado pela Justiça, e se limita a sair do quarto para ir até o banheiro.
O tenente Cardoso confirmou também que até ontem o comando não havia recebido nenhuma ordem superior para ampliar a segurança do ex-secretário. O pedido de reforço foi uma promessa dos deputados da comissão da Assembléia, que acompanha as denuncias de Paolicchi. ‘‘Ele sabe muita coisa’’, justificou o deputado Nereu Moura (PMDB). A segurança é feita por dois policiais 24 horas por dia.

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