TRF pede informações sobre Paolicchi
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terça-feira, 06 de fevereiro de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
O desembargador Vilson Darós, do Tribunal Regional Federal (TRF), de Porto Alegre, solicitou ontem mais informações à Vara Federal Criminal de Maringá, sobre o processo contra o ex-secretário de Fazenda do município, Luis Antônio Paolicchi. Preso desde o dia 7 de dezembro do ano passado, acusado de desviar dinheiro público da prefeitura, Paolicchi entrou com pedido de habeas-corpus no TRF na semana passada. Darós não decidiu sobre o pedido alegando que os advogados de defesa não solicitaram liminar.
Sem o pedido de liminar, o desembargador entendeu que a liberdade não precisa ser decidida de imediato. Por isso, solicitou mais detalhes do caso ao juiz da Vara Federal, Anderson Furlan Freire da Silva, e que as informações passem também pelo Ministério Público Federal (MPF).
Os advogados de defesa alegam que a liminar não foi pedida porque dificilmente seria acatada pelos juízes do TRF. Eles querem garantir que Paolicchi não fique preso durante todo processo de investigação. Temos muitos detalhes a serem levantados e não seria justo meu cliente ficar preso todo este tempo, diz o advogado Wagner Pacheco.
Na quinta-feira, o juiz Anderson começa a ouvir as testemunhas de defesa diferentemente do que foi anunciado. Foram convocadas 15 pessoas apontadas pelos advogados, duas delas por precatórias. Uma, de Brasília, que a Justiça Federal não divulga o nome, já foi ouvida. Além das testemunhas, serão ouvidos também os ex-prefeitos Jairo Gianoto e Said Ferreira (ambos sem partido) e o filho dele, Alexandre Ferreira. Os três devem comparecer diante do juiz na sexta-feira de tarde.
Os ex-prefeitos foram acusados por Paolicchi de comandarem o esquema de desvio de dinheiro. O ex-secretário citou também o filho de Said, Alexandre, como beneficiário de aproximadamente R$ 50 mil. Os dois ex-prefeitos, em depoimento ao Ministério Público, devolveram a acusação a Paolicchi. O juiz adiantou que se os depoimentos forem mantidos, pode fazer a acareação entre os três.
O ex-secretário e mais três servidores da prefeitura respondem por peculato, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha na Justiça Federal. Junto com o Gianoto, Paolicchi responde ainda a um processo de improbidade administrativa na Justiça comum. Paolicchi é acusado do desvio de mais de R$ 30 milhões até agora levantados pelo MP. O Tribunal de Contas fez uma auditoria e contabilizou um desvio de R$ 54 milhões nos últimos quatro anos, mas o rombo pode passar de R$ 100 milhões.


