Pelo menos três municípios do Paraná declararam moratória para tomar ciência da situação econômica das prefeituras. Em Arapongas, o prefeito Beto Pugliesi (PMDB) suspendeu os pagamentos dos credores por 90 dias. Paulo Mac Donald Ghisi (PDT), de Foz do Iguaçu, estabeleceu suspensão de dois meses. No Litoral, em Matinhos, Francisco dos Santos (PSDB) interrompeu a quitação de dívidas por 30 dias. Os prefeitos de Ibiporã e Maringá assumiram cortando gastos.
A primeira e, pelo jeito, mais prolongada iniciativa do tipo foi adotada pelo novo prefeito de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), Beto Pugliesi (PMDB). Sobrinho do atual secretário estadual de Transportes, Waldir Pugliesi, o novo chefe do Executivo araponguense definiu esta semana uma moratória de 90 dias para ''tomar pé da situação'' em que está a Prefeitura.
De acordo com Pugliesi, o município está com mais de R$ 3 milhões de empenhos a serem pagos, além de ''boa parte'' do maquinário parada no pátio à espera de conserto. ''Temos caminhões de lixo parados com material há um mês, com mau cheiro. Vamos implantar serviços emergenciais até ver o que faremos'', avisou.
Em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, Paulo Mac Donald Ghisi (PDT), decretou a suspensão do pagamento de todos os prestadores de serviços da prefeitura pelo período de 60 dias. Ghisi pretende, nesse período, fazer uma análise de todos os contratos e valores acertados. Ele disse que não haverá calote, mas que pretende pagar o valor que for considerado justo para cada serviço.
Também em Matinhos, no Litoral do Estado, o novo prefeito, Francisco Carlin dos Santos (PSDB), decretou moratória de 30 dias e mandou sustar todos os cheques emitidos entre quarta (29) e sexta-feira (31), véspera de Ano Novo. Santos também quer analisar as contas.
A situação em Matinhos é especialmente delicada, uma vez que, em 2002, ela teve o prefeito Acindino Duarte (PMDB) afastado do poder por malversação do dinheiro público. José Maria Correia (PMDB) foi indicado para atuar como interventor do município até o final de 2004, mas se indispôs com vários setores da cidade. Correia ainda tentou se eleger para o cargo de prefeito em outubro, mas foi derrotado. O interventor não compareceu à posse de Francisco dos Santos, que teve de arrombar a prefeitura para poder entrar.
Em Maringá, no Noroeste do Estado, o prefeito Sílvio Barros (PP) também adotou medidas de contenção de despesas. Diferentemente do prefeito de Ibiporã, Alberto Baccarim (PPS), que anteontem eliminou sete das 12 secretarias (leia texto nesta página), Barros anunciou que duas delas Transportes e Cultura passam a funcionar, respectivamente, junto às de Desenvolvimento e Educação.
Segundo Barros, no segundo semestre, vêm mais cortes. ''Essa tendência de enxugar é para atingir a estrutura ideal de administração que queremos. A meta é colocar os secretários nas ruas para ouvir a população e fazer um trabalho de gerentes, mesmo'', justificou o novo prefeito de Maringá.

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