Curitiba - O diretor-administrativo da Assembleia Legislativa (AL), Altair Carlos Daru, foi exonerado ontem por suspeita de envolvimento na contratação da própria mãe, que nunca sequer esteve na Casa. A denúncia se refere ao período entre 2003 e 2005, quando Daru trabalhava no gabinete do deputado Valdir Rossoni (PSDB), hoje presidente da Assembleia. A mãe, Hellena Luiza Valle Daru, também estava lotada no gabinete do tucano, mas ele diz que não tinha conhecimento da situação.
A exoneração só aconteceu após a deflagração pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal da Operação Tubarão, no início da semana. A operação fez buscas e apreensões para apurar fraudes em restituições do Imposto de Renda de contribuintes ''laranjas'' da AL. O prejuízo com as irregularidades pode ultrapassar R$ 1 milhão.
Mas a informação de que a mãe de Daru constava na lista de funcionários lotados no gabinete de Rossoni veio a tona em 2 de fevereiro deste ano. Naquele dia, o ex-chefe dos seguranças da AL, Edenilson Carlos Ferry, entregou à imprensa uma lista em que constava os nomes de Hellena e também de Gilmario Daru, irmão do diretor administrativo recém empossado. Quando foi procurada para responder às denúncias, a Casa confirmou que os dois tinham sido funcionários do atual presidente.
''O Daru trabalha comigo há mais de dez anos. O irmão dele trabalhou por alguns anos, mas nos últimos cinco anos não mais. Quando veio essa denúncia dos seguranças, que foram demitidos, o Daru deve ter percebido que tinha algo errado. Foram eles que denunciaram a pessoa fantasma'', afirmou Rossoni durante coletiva à imprensa.
O parlamentar conta que, depois da divulgação da lista, o diretor levou a mãe a fazer uma denúncia junto à Receita Federal de que o nome dela estava sendo usado irregularmente. Segundo Rossoni, o caso ainda está muito mal esclarecido, mas ele garante que a nomeação de Hellena não teve o consentimento dele. ''Ela deve ter sido contratada através dos 'famosos' atos secretos. Não se sabe ainda, não se tem essa conclusão. Por isso afastamos o diretor''.
Rossoni também justifica o caso com a grande desorganização que havia na Casa nas administrações anteriores. ''O protocolo de demissão dessa servidora cita um número. Aí você vai procurar esse protocolo e encontra lá uma pasta e apenas tem uma passagem aérea. Se nós soubéssemos de onde veio o documento para contratar a servidora, nós já teríamos concluído o caso. O que todo mundo sabe é que não se encontra documentos na Casa'', argumentou.
Na opinião do presidente, ele pode ter sido vítima de uma conspiração. ''É claro que deveria e devem existir pessoas não simpáticas a mim que criaram essa situação. As hienas devem estar sorrindo. Aqueles que pertenciam ao sistema querem que o presidente se desmoralize, para não ter continuidade a moralização da Casa''.

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