Três empresas de tecnologia são beneficiadas com terreno em Londrina
Réus na ZR3, vereadores Mario Takashi e Rony Alves optam em se abster da votação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Réus na ZR3, vereadores Mario Takashi e Rony Alves optam em se abster da votação
Guilherme Marconi - Grupo Folha 

Por 17 votos favoráveis e duas abstenções, a Câmara Municipal de Londrina deu aval nessa terça-feira (22) a três projetos de lei que autorizam a prefeitura a doar terrenos para três empresas já instaladas no município. São elas: Indusbello, indústria de produtos médicos e odontológicos; Elitesoft Informática; e ER-BR Energias Renováveis. As áreas ficam no Parque Tecnológico Francisco Sciarra (zona leste) e foram escolhidas pela Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina).
Apenas os vereadores Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB) se abstiveram, mas após a votação foram pessoalmente até os empresários explicar o motivo. Ambos respondem a processo criminal no âmbito da ZR3 e são acusados pelo Ministério Público de supostamente exigir vantagem de empresários para apresentar projetos de lei de mudança de zoneamento. Apesar de negarem tanto em entrevistas quanto na Justiça a suposta prática de corrupção, os parlamentes têm optado de não se posicionar em projetos correlatos ao tema desde que retornaram do afastamento judicial.
De acordo com o presidente da Codel, Bruno Ubiraran, mesmo sendo empresas que estão consolidas em Londrina, o critério para doação foi o perfil do segmento em que elas atuam. "Elas atuam na área de tecnologia e inovação. Somadas, empregam juntas mais de 150 pessoas e são empresas que têm grande potencial de crescimento." Questionado se a política de doação de terrenos não seria voltada a empresas de fora, Ubiratan ponderou que a Codel também atua no fortalecimento das empresas já instaladas na cidade. "O foco é atrair mais empresas, mas também de olho no potencial das que já estão aqui."
No caso da Indusbello, o mesmo terreno já havia sido doado em 2013 por meio de projeto de lei aprovado na Casa. Entretanto, a empresa não pôde cumprir o cronograma estabelecido por lei e o trâmite precisou ser retomado. O projeto de lei volta em segunda discussão, antes da sanção do prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP). A empresas têm prazo de 12 meses para iniciar a obra e de 36 meses para conclui-la. Os terrenos estão avaliados entre R$ 725 mil a R$ 1,28 milhão, com áreas que vão de 2 mil a 4 mil metros quadrados.
ARQUIVADO
O Legislativo também arquivou outro projeto de emenda à lei orgânica que acrescentava a exigência de análises de mais dois órgãos para casos de alienação de áreas. O projeto encabeçado pelo ex-vereador Tio Douglas (PTB) tinha o objetivo de pedir a consulta do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano) e da Cohab (Companhia da Habitação de Londrina), antes dos projetos de lei referentes a doação ou cessão de área serem apreciados em plenário. Mas o projeto de lei acabou rejeitado. Apenas o coautor Roberto Fú (PDT) manteve o posicionamento.
A medida sofreu forte crítica do líder do prefeito na Cãmara, Jairo Tamura (PL). O parlamentar alega que a medida só traria mais morosidade e burocracia ao trâmite de doação de terrenos. O argumento do projeto é que o Ippul poderia balizar o zoneamento e o parecer da Cohab seria imprescindível para análise de um possível interesse público para moradias populares antes de dispor do terreno. Com a forte oposição, o projeto acabou engavetado, apesar de ter sido aprovado em primeira discussão.


