Três dos quatro corpos são retirados do avião
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segunda-feira, 06 de outubro de 2003
Maria Duarte<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - O mau tempo e a dificuldade de acesso à mata fechada na região de Guaratuba atrasaram o trabalho de resgate dos corpos do deputado federal José Carlos Martinez, presidente nacional do PTB, e das outras três pessoas que estavam com ele no avião que bateu entre os morros do Rolado e do Agudinho. O trágico acidente ocorreu na região do morro Parati, no último sábado. A expectativa da Força Aérea Brasileira (FAB) é conseguir retirar os corpos hoje à tarde. Os corpos estão dentro do monomotor, que tem o bico e parte da fuselagem enterrados no solo. O avião bateu de frente no morro.
O tempo na Serra do Mar amanheceu nublado ontem, com vento. A equipe de resgate da FAB chegou ao local do acidente somente no início da tarde. A previsão era ter reiniciado pela manhã as buscas, paralisadas no início da noite de anteontem. Segundo o major Feijó, da Aeronáutica, a equipe recebeu ordens para passar a noite de ontem no local do acidente. Além de pás e enxadas, eles levaram água e suprimentos.
A previsão, porém, é de que o tempo continuará fechado hoje e pode prejudicar ainda mais a operação. Segundo o Serviço de Meteorologia do Paraná (Simepar), a previsão para o Litoral é de pancadas de chuva até quarta-feira.
A Força Aérea destacou dois helicópteros para a operação de resgate, que envolve seis militares do esquadrão de salvamento da FAB e quatro bombeiros do Paraná. Para chegar aos destroços do avião monomotor, o grupo foi levado de helicóptero para a mata e desceu até o local de rapel. A FAB trabalha com a possibilidade de usar cordas para puxar os corpos, agilizando assim a operação, que tem como base o aeroporto de Joinville (SC).
Além do deputado, viajavam no avião o piloto Cláudio Luiz da Luz, o assessor João Luis Goebel e um amigo de Martinez, André Surugi. As famílias das vítimas estavam apreensivas ontem.
Martinez estava indo para Piçarras (SC), onde tem um apartamento na praia, quando ocorreu o acidente. O deputado pretendia pescar com os amigos no final de semana. O monomotor decolou do aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, às 9h23 da manhã de sábado, rumo ao aeroporto de Navegantes (SC). O Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego (Cindacta), em Curitiba, perdeu o contato com a aeronave 15 minutos após a decolagem. O avião foi localizado somente no domingo.
Os destroços foram encontrados por um helicóptero do governo do Estado. O piloto do helicóptero, comandante Dull, contou que viu uma asa fora do solo, e acionou a Força Aérea.
De acordo com a FAB, os aviões de menor porte normalmente utilizados por empresários e políticos têm que cumprir as mesmas exigências feitas dos vôos comerciais e de carga. Precisam ter plano de vôo e autorização para decolagem, e são monitorados pelo Cindacta.
O ministro da Defesa, José Viegas Filho, assim que soube do acidente, criticou alegando a falta de plano de vôo do avião de Martinez. As declarações do ministro causaram polêmica. Flávio Martinez, irmão do deputado, acredita que havia um plano, o que foi confirmado novamente pelo Aeroporto do Bacacheri ontem a uma emissora de televisão. Flávio Martinez afirmou ainda no domingo que o piloto trabalhava para a família há cerca de três anos e era muito competente.
As causas do acidente serão apuradas em 90 dias, prazo que é prorrogável de acordo com a FAB. A investigação será feita por pessoal do Departamento de Aviação Civil (DAC) e do Serviço Regional de Aviação Civil, que já estão vindo para a região do acidente, segundo a Força Aérea. Amigos próximos de Martinez acreditam que o acidente ocorreu quando a aeronave tentou mudar de rota por conta do mau tempo, na tentativa de retornar a Curitiba. A FAB não soube informar ontem se o monomotor tinha ou não caixa-preta.
Assim que resgatado, o corpo de Martinez deve ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. O velório será na Assembléia Legislativa, e o corpo será cremado. Dos demais passageiros, apenas o corpo do piloto deve ser encaminhado para Santa Catarina, onde mora a família.


