Leandro Donatti
De Curitiba
A disputa pela presidência da Assembléia Legislativa, vagada com a morte do deputado Aníbal Khury (PFL), já começou. Três deputados do PTB brigam pelo cargo máximo do Poder Legislativo: o 1º vice-presidente da Casa, Nelson Justus, o líder do governo, Valdir Rossoni, e o secretário geral, Hermas Brandão. Os três passaram o dia ontem articulando suas indicações.
Justus e Rossoni querem o apoio político do governador Jaime Lerner (PFL). Brandão corre por fora e ameaça partir para o bate-chapa, na hipótese de Justus não emplacar. O Regimento Interno diz que o cargo ocupado por Aníbal Khury terá de ser preenchido até sexta-feira, por eleição.
Lerner foi procurado tanto por Justus quanto por Rossoni por volta das 14 horas, e conversou com os dois juntos em seu gabinete, no Palácio Iguaçu, enquanto o corpo de Aníbal Khury era velado no saguão. A conversa não se centrou em articulação. O governador foi duro. Apelou aos dois para que se movimentassem juntos. Disse que nunca havia se envolvido nesse tipo de assunto, com Aníbal em vida, mas que agora considerava necessário se envolver. ‘‘Quem pleitear o cargo deverá contar com o apoio do preterido’’, foi avisando Lerner na conversa.
A irritação no Palácio Iguaçu veio minutos mais tarde, quando começaram as especulações, no velório do deputado, de que Lerner estaria pendendo para a candidatura de Nelson Justus. O governador se disse estarrecido e desautorizou qualquer especulação nesse caminho. ‘‘É um desrespeito à memória de Aníbal. De jeito nenhum autorizei qualquer tipo de vinculação de meu nome’’, desabafou a assessores próximos. ‘‘Até porque não tenho condições emocionais para discutir isso’’, emendou.
A movimentação envolvendo a sucessão na Assembléia começou no domingo, um dia antes da morte de Aníbal Khury. Os contatos se intensificaram na manhã de ontem, depois de confirmada a vacância. Nelson Justus responde pelo cargo até sexta-feira e até lá busca assinaturas para uma moção de apoio que lhe garanta a permanência como presidente titular, sem nova eleição. ‘‘Não vou sair fazendo campanha, eu era o candidato do Aníbal, se ele estivesse vivo’’, alegou Justus. As costuras de Valdir Rossoni estão adiantadas. O projeto do deputado conta com a simpatia do ‘‘Grupo dos 21’’, aliados de Lerner rebelados com a crise financeira que assolou as finanças do Paraná e que consideram ‘‘golpe’’ a intenção de Justus. Já Hermas Brandão costura adesões junto à oposição, o que lhe garantiria uma vantagem sobre os demais aliados. A oposição, em troca, estaria disposta a negociar cargos como a Secretaria Geral, ocupada hoje por Hermas Brandão.
Com a disposição de Rossoni em concorrer, a vaga de líder do governo também entraria no bolo de negociações, só que restrita ao bloco governista. Proposta de projeto de resolução de Neivo Beraldin (PSDB), propondo mudança no Regimento Interno e dilação para mais 30 dias para se eleger o novo presidente, foi apresentada ontem, mas não deve prosperar. Nem oposição nem a maioria da situação demonstraram entusiasmo com a sugestão. ‘‘O Regimento foi feito para ser cumprido’’, disse o líder do PMDB, Orlando Pessuti. ‘‘Não é momento para discutirmos isso. Mas um projeto de resolução como esse não tem cabimento’’, considerou Hermas Brandão, minutos depois de uma reunião, reservada em seu gabinete, para tratar da sucessão na Assembléia.

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