Trégua na atração de aliados na oposição
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2004
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília O governo decidiu dar uma pausa estratégica em sua ofensiva para cooptar aliados nos partidos de oposição e engordar as legendas governistas no Congresso. Preocupado com a sucessão nas lideranças partidárias daqui a um mês, o Palácio do Planalto vai operar, agora, para fortalecer os candidatos a líder que são menos hostis ao governo. Com esta nova prioridade a executar, o Planalto não quer mexer na correlação interna de forças de algumas legendas, como o PFL por exemplo. Prova disso é que a cúpula do PTB já foi avisada de que o pedido feito pelo presidente do partido, deputado Roberto Jefferson (RJ), ao ministro da Casa Civil, José Dirceu, para estimular descontentes da oposição a buscar abrigo em ninho petebista, terá de aguardar a eleição dos novos líderes, em meados de fevereiro.
Empenhado em derrubar a reeleição do líder pefelista José Carlos Aleluia (BA), o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) foi outro que procurou o ministro Dirceu nos últimos dias com um apelo especial. Segundo um interlocutor do ministro, ACM pediu que ele o ajudasse a manter intacta a bancada pefelista na Câmara. O senador não quer que eventuais baixas no PFL possam significar perda de votos favoráveis a ele e ao governo.
Segundo um dirigente pefelista, Aleluia tornou-se um adversário do clã dos Magalhães por vários motivos. Primeiro porque faz oposição cerrada ao governo, quando o senador Antonio Carlos é simpatizante do PT e diz ter votado em Lula para presidente. Segundo, porque ameaçou fazer sombra a seu neto, o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), derrubando publicamente sua eventual candidatura a prefeito de Salvador. Por último, foi o pivô de uma crise que pôs em confronto ACM e o presidente nacional da legenda, Jorge Bornhausen (SC), e por pouco não custou a expulsão do senador baiano do partido.
ACM entrou no jogo da cooptação do Planalto para impedir que dois pefelistas que tem como seus - os deputados Paes Landim e Ciro Nogueira, ambos do Piauí - deixem o partido antes da eleição do novo líder. Ele quer emplacar na liderança o deputado Roberto Brant (MG), um adversário de peso para Aleluia, não só por sua história política.
Depois de ter passado pelo ministério da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, Brant foi um árduo defensor da reforma previdenciária na Câmara, influenciando votos em favor do governo petista, ainda que por pura convicção.
Um interlocutor palaciano conta que o presidente Lula já deu sinal verde para que o ministro Dirceu opere a migração dos dois piauienses do PFL para o PTB. Mas não agora. O PTB terá que esperar sem ''chororô'' por razões óbvias. Só elegeu 26 deputados em 2002 e viu a legenda duplicar sua força ao longo do primeiro ano de governo Lula, chegando a uma bancada de 52 parlamentares na Câmara. Tudo por obra e graça do ministro da Casa Civil, que tem aconselhado os dissidentes do PFL e do PSDB a migrarem para o PTB, legenda que, segundo o próprio José Dirceu, tem a ''total simpatia'' do governo.


