TRE quer informações sobre caso Rasera
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domingo, 24 de setembro de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria de Investigações Criminais (PIC), do Ministério Público (MP) do Paraná, deve receber hoje o ofício do desembargador José Vidal Coelho, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado, através do qual solicita o envio, para a Procuradoria Regional Eleitoral, de todas as peças de investigação do ''caso Rasera'' que possam envolver candidatos ao pleito de outubro. A PIC não informou, até a última sexta-feira, se há ou não participação de candidatos no esquema.
A decisão do desembargador foi motivada depois que o deputado estadual José Domingos Scarpellini (PSB) solicitou ao TRE a cassação do registro de candidatura do governador licenciado Roberto Requião (PMDB), que tenta a reeleição, por suposto envolvimento com o policial civil Délcio Rasera, cedido ao Executivo, e preso após ação da PIC no último 5 de setembro por suspeita de comandar uma quadrilha de grampos telefônicos ilegais.
O TRE negou o pedido do parlamentar, já que em princípio não haveria indícios da participação do governador no caso, mas decidiu no despacho que era preciso que a PIC informasse à Procuradoria Regional Eleitoral se já existem peças que possam comprometer Requião ou outro candidato. Desde que a suposta quadrilha foi desmantelada pela PIC, políticos de oposição ao governo do Estado tentam ligar Rasera a Requião, que já negou conhecer o policial civil durante entrevista a uma emissora de televisão.
Rasera, que está preso em Curitiba, teve pedido de habeas corpus novamente negado. O advogado do policial civil, Luiz Fernando Comegno, insiste na tese de que não há provas contra Rasera e que se trata de ''um caso político''. ''A PIC só possui gravações de conversas sobre grampos entre Rasera e funcionários de uma companhia telefônica. Mas não há provas de que os grampos foram efetivamente realizados por Rasera'', justifica. A PIC já informou, porém, que entre as apreensões feitas em três escritórios mantidos por Rasera em Curitiba também estão materiais de escutas ilegais. A previsão é de que o MP ofereça denúncia sobre o caso hoje.
Além de Rasera, outras seis pessoas também foram presas de forma preventiva no início do mês, entre elas Isaac José, que trabalhava como funcionário de uma empresa de telefonia na Capital. O advogado de Isaac, Nelmon Silva Júnior, afirmou que o coordenador da PIC, Paulo Kessler, ofereceu delação premiada, mas não houve acordo. ''Não vi nenhum caso de alguém que tenha sido efetivamente premiado'', justifica. O advogado informou que Isaac recebia de R$ 100,00 a R$ 300,00 por cada serviço de grampo. Isaac começou a fazer os grampos a pedido de um ''colega de trabalho'', que também está preso. O advogado também informou que Isaac não conhecia Rasera pessoalmente, mas que sabia que prestava serviços a ele. ''Ele manteve contato com, no máximo, duas pessoas, isso não é quadrilha'', comentou o advogado, evitando dar mais detalhes.


