TRE quer atrair mesários voluntários
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná está promovendo uma campanha diferente. Este ano foi lançado um programa para atração voluntária de mesários para as 23.048 seções eleitorais de todo o Estado. Vão ser necessários 115,2 mil mesários nas eleições municipais de 2004. Somente em Curitiba serão 16 mil mesários para controlar 3.215 seções (14%) e em Londrina, outros 4,6 mil mesários para um total de 924 seções (4%).
Para incentivar o voluntariado, o TRE confeccionou peças gráficas (cartazes e folders que serão afixados em repartições públicas, bancos, ônibus, terminais e universidades), fará anúncios em jornais com circulação em Curitiba (maior colégio eleitoral do Paraná) e colocará em propagandas publicitárias de televisão um vídeo de 30 segundos estrelado pelo mesário mais antigo do Brasil: José Carlos Mello Rocha, de 73 anos. A intenção da campanha, segundo o TRE, é incentivar o voluntariado que atualmente representa menos de 1% do total de cadastrados nas eleições. ''Não temos metas ainda, mas queremos cadastrar o máximo de voluntários possível'', informou ontem o assessor do TRE, Mardem Machado.
Trezentos funcionários do TRE já foram convocados para trabalhar nas eleições de 2004. Eles vão atuar na organização das eleições municipais. ''A Lei 9.504 proíbe que os funcionários atuem como mesários. Por isso, a contribuição da população é fundamental'', destacou. Os mesários têm como benefícios dois dias de folga por dia de convocação e vale-alimentação nos dias das eleições. ''O maior benefício é cívico. É ter contribuído de alguma forma para a democratização nacional'', disse o aposentado Mello Rocha, que começou a trabalhar como mesário em eleições em 1950.
''Nasci e me criei em cartório no município de Jaguariaíva. Lá comecei meu trabalho eleitoral, sendo mesário. Continuei fazendo isso em Curitiba e vou continuar. Tenho idade para descansar e não mais votar. Mas sei que tenho um papel importante para o meu País, estou sendo útil'', considerou Rocha. O aposentado conta em detalhes as mudanças sofridas nas votações anualmente. Ele foi mesário ainda nas urnas gigantes de madeira, em que cada cargo político tinha que ser escolhido numa cédula individual. Depois, vieram as urnas de lona. Atualmente, as eletrônicas.
''Acho que sou a memória de tudo isso no Brasil. E é bom estar sendo reconhecido agora, depois de 55 anos de trabalho eleitoral'', contou. Outra mudança fundamental destacada por ele é a agilidade na apuração dos votos. ''Hoje em dia é tudo muito rápido. Anteriormente, demorava-se entre seis a 13 dias para se conseguir apurar tudo.'' Os eleitores também tiveram mudanças de comportamento ao longo dos anos, segundo Mello. ''As eleições eram festas gigantescas. Não se deixava de ir a qualquer comício, apesar de não ter necessidade de cantores. As pessoas iam ver os políticos. Tinham entusiasmo para votar. Isso não existe mais.''


