TRE nega pedido e Álvaro vai ao ar
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terça-feira, 18 de novembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaIroniaÁlvaro Dias: Esse governo pensa que estamos na época da ditadura e que eles podem nos impedir de falarO presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, usou ontem à noite os últimos cinco minutos que o PSDB tinha direito no horário eleitoral gratuito neste ano para divulgar suas obras na estatal. A utilização com fins eleitorais do horário foi criticado pelo PFL do governador Jaime Lerner, que tentou suspender, sem sucesso, o programa junto à corregedoria do TRE (Tribunal Regional Eleitoral).
O balanço do ex-governador foi ao ar graças ao corregedor da Justiça Eleitoral, Alceu Ricci, que na sexta-feira negou a medida cautelar ajuizada pelo ex-procurador geral de Curitiba Cid Campêlo, hoje lotado como funcionário da Secretaria de Governo no Palácio Iguaçu. O PFL queria uma liminar para cassar a oportunidade de Álvaro fazer campanha de forma indireta.
Na medida cautelar instaurada, Campêlo alegava que o programa de Álvaro era autopromocional e desviava-se da finalidade de dar espaço ao partido. O governo tenta se precaver da ação política do ex-governador, que tenta manter-se na mídia como o candidato das oposições ao governo do Estado ou Senado, em 98.
Ontem foi a segunda vez que o presidente da Telepar utilizou o tempo para falar de suas obras. Tratou da rede de fibras óticas e das escavações que vêm sendo realizadas na área urbana para expansão da rede de telefonia. A primeira vez em que fez da TV um palanque foi na segunda-feira retrasada. Ao contrário dos outros anos, nesse, o PSDB dividiu seu programa em quatro blocos semanais. Os primeiros cinco minutos ficaram para o senador Osmar Dias; os outros cinco para a direção do PSDB; e o restante para Álvaro Dias.
O uso do cachimbo faz a boca ficar torta. Esse governo pensa que nós estamos na época da ditadura em que eles podem nos impedir de falar, provocava ontem o presidente da Telepar horas antes do programa ir ao ar. Álvaro criticou o ajuizamento da ação dizendo que Campelo não deve ficar advogando em nome do partido e ocupando cargo no governo. Acho isso tão estranho, avaliou.
Já o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL), disse ontem em Curitiba que só abre mão da sua pré-candidatura ao Senado se o grupo político do governador Jaime Lerner (PFL), ao qual faz parte, costurar aliança com o PSDB, hoje dominado por Álvaro Dias. Com certeza, abro mão de ser candidato por essa composição, garantiu.
Mesmo com as dificuldades políticas em se conseguir o acerto - Lerner e Álvaro não falam mais na possibilidade - o ministro acredita que uma aproximação política entre os partidos seria o mais acertado. Acho desejável uma coligação com o PSDB no Estado como forma de dar maior solidez de apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso no Paraná, declarou.
Em não ocorrendo o acordo, Stephanes já adianta que é candidatíssimo. Ele veio ontem a Curitiba para a abertura de um seminário internacional sobre seguros contra acidentes do trabalho. À tarde, assinou convênio com a secretária da Criança e Assuntos da Família, Fany Lerner (PFL). O ministro afirma que os 30 anos de vida pública o credenciam na briga pelo Senado.
Ele reforçou as declarações dadas em outubro, em Londrina, de que é o melhor nome para a disputa. Sempre representei o Paraná. Já fui deputado federal quatro vezes. Fui o segundo deputado federal com mais votos em 94 (cerca de 90 mil) e a minha rejeição é zero. Sou bem recebido em todo o Estado, declarou. Stephanes emendou que sempre foi bem votado, fazendo poucas campanhas.
O ministro trabalha com a desincompatibilização do cargo somente em abril de 98. O presidente Fernando Henrique já cogitou a possibilidade de antecipação, mas Stephanes insiste na tese e aposta até numa definição do nome do candidato ao Senado, antes das convenções na metade do ano que vem. Se puder haver entendimento antes, é melhor. Caso eu não consiga o Senado, sou candidato a deputado federal até por razões de ofício, disse.


