A Justiça Eleitoral de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) está realizando uma investigação judicial referente às eleições de 1996, por determinação da procuradora regional eleitoral, Denise Vinci Tulio, e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A investigação recai sobre o atual prefeito Antônio Nadir Bigatti (PMDB), candidato na época.
A investigação foi requisitada pela coligação ‘‘Nossa Terra, Nossa Gente’’, derrotada nas eleições. O candidato Antônio Carlos Cobbo Pires (PSB) acusou Bigatti de ter feito propaganda política para professores municipais em prédio público, durante período proibido pela legislação eleitoral.
Na ocasião - outubro de 96 -, a coligação recorreu à Justiça Eleitoral, que mandou arquivar a denúncia. O juiz de Ibiporã, Elsio Crozera, considerou o pedido de providência da coligação, formada pelo PTB, PSB e PPB, ‘‘genérico e fora de prazo’’.
A coligação não se conformou com a decisão e recorreu ao TRE. Em março deste ano, o Tribunal determinou a anulação da sentença do juiz e o início da investigação. A procuradora regional eleitoral também se manifestou favorável à investigação.
Segundo Denise Vinci Tulio, não houve ofensa ao artigo 240 do Código Eleitoral como alegou a coligação derrotada. O artigo diz que é vedada, desde 48 horas antes da eleição, qualquer propaganda política em rádio, televisão, comícios ou reuniões públicas. ‘‘Mas a investigação pode apurar o uso da máquina administrativa, a convocação dos professores, a utilização do prédio da prefeitura, como também o uso do poder de autoridade do senhor prefeito, que esteve presente à reunião’’, disse a procuradora.
O advogado de Cabeção, Paulo Afonso Nolasco, juntou ao processo fitas de vídeo e fotografias da reunião, realizada no salão nobre da prefeitura. Segundo ele, o encontro foi promovido com fins políticos. ‘‘O candidato Nadir Bigatti, com apoio do então prefeito Dorival Martins, discorreu longamente sobre sua plataforma, inclusive lendo sua cartilha’’.
A expectativa do candidato derrotado é de cumprimento da lei. ‘‘Mesmo que tardiamente, o TRE entendeu que havia motivo suficiente para a investigação. E que isso não passe em branco’’, disse Cabeção. Já o prefeito nega ter cometido crime eleitoral. ‘‘Expus meu programa de trabalho, não prometi nada mirabolante para atrair voto’’. Bigatti disse que Cabeção esteve na reunião, foi convidado a falar, mas recusou.

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