Curitiba - O prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL) deve ser julgado no próximo mês pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no processo referente a irregularidades na prestação de contas de sua campanha à reeleição em 1999. O prazo para Cassio apresentar sua defesa no recurso movido pelo Ministério Público eleitoral em dezembro de 2001 expira na próxima segunda-feira. Após a manifestação do prefeito, o relator Auracyr Azevedo de Moura Cordeiro deve incluir o processo na pauta de votações do TRE, o que deve acontecer no início de outubro.
O recurso contra a prestação de contas de Cassio foi movido pelo promotor eleitoral Valclir Natalino da Silva após uma reportagem publicada em novembro na Folha de S. Paulo apontar a existência de um caixa 2 na campanha de Cassio que somaria R$ 29,8 milhões. A denúncia foi baseada em uma cópia do livro-caixa do tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Júnior, que atualmente é funcionário da Casa Civil no governo de Roberto Requião (PMDB).
Uma eventual condenação de Cassio, entretanto, teria apenas efeitos morais, uma vez que o prazo para a punição por irregularidades na prestação de contas já prescreveu. Caso a corte do TRE decidisse rejeitar as contas do prefeito, ele ficaria inelegível por três anos a partir da data de sua posse, que aconteceu no dia 1º de janeiro de 2000. O maior prejuízo ao prefeito seria a exploração do caso pela oposição nas eleições do ano que vem, quando Cassio tentará fazer seu sucessor na prefeitura.
O advogado de Cassio no caso, Olivar Coneglian, não adiantou qual serão seus argumentos nas alegações finais do caso que devem ser entregues na segunda-feira. ''Estou começando a estudar a argumentação agora'', afirmou.
Além do recurso que deve ser julgado nos próximos dias, que tem cunho especificamente eleitoral, Cassio responde também por uma denúncia criminal baseada no inquérito da Polícia Federal que apurou que o prefeito deixou de declarar ao menos 48 pagamentos realizados durante sua campanha na sua prestação de contas ao TRE. A soma dos pagamentos comprovados totaliza R$ 632 mil, embora o inquérito indique que ainda cabe investigações sobre outros pagamentos citados no livro-caixa de Paladino. A pena prevista para a omissão de informações na prestação de contas é de cinco anos.

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