Uma semana depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato de Francisco Moraes, o Mão Santa (PMDB), o Piauí ainda não sabe como será escolhido o novo governador. Somente na semana que vem é que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai decidir se diploma o senador Hugo Napoleão (PFL) ou se convoca uma nova eleição. O tribunal fez a recontagem dos votos, mas o resultado publicado ontem não é definitivo. O documento não aponta nem vencedor e nem vencido.
O senador Hugo Napoleão (PFL) teve 613.331 votos ou 100% dos votos válidos. Mas os votos dados a ele correspondem a somente 46,89% do total de votos computados, já que foram excluídos os nulos, brancos e os obtidos por Mão Santa. A soma dos votos anulados com a cassação do governador e dos votos nulos (680.231) corresponde a 52,01%. Os brancos (14.446) representaram 1,1%.
Além de pedir que o TRE realize uma nova eleição, os advogados do ex-governador Mão Santa entraram com recursos no TSE e no Supremo pedindo que a cassação seja suspensa. ''O que houve foi uma injustiça e ela será reparada'', disse o ex-vice-governador Osmar Júnior (PC do B). Mão Santa foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder econômico e político na campanha à reeleição, em 1998. A ação foi proposta por Napoleão.
O advogado de Napoleão, Torquato Jardim, disse ontem que a diplomação de seu cliente ''é apenas uma questão de tempo''. Segundo o advogado, não haveria outra saída do ponto de vista legal e constitucional. Ele espera que a questão possa ser resolvida ainda esta semana, possivelmente na quinta ou sexta-feira.
A indefinição de quem será o governador poderá engessar o Estado. Os policiais militares programaram para amanhã à noite, em frente ao Palácio do Karnak, uma manifestação contra o corte que o governador cassado fez nos benefícios da categoria. Na Saúde, a direção dos hospitais públicos enfrenta situação de emergência diante da falta de medicamentos e de material para trabalhar.
Enquanto isso, o governador interino, Kleber Eulálio (PMDB), aliado de Mão Santa, reuniu secretários para determinar a paralisação de todas as obras do governo estadual. A prioridade será o pagamento de servidores e o custeio dos órgãos públicos.

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