TRE decide recontar votos no Piauí
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sábado, 10 de novembro de 2001
Cláudio Barros<br>Agência Estado - De Teresina 
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Piauí decidiu ontem que será feita uma nova totalização dos votos da eleição de 1998. Somente depois disso é que o TRE decide se diploma ou não o senador Hugo Napoleão (PFL) no cargo de governador ou se realiza uma nova eleição num prazo de 40 dias. Qualquer que seja a decisão, haverá recurso dos partidos envolvidos na batalha jurídica que criou um vácuo institucional no Piauí.
O TRE decidiu que a nova totalização dos votos vai ser feita com base numa resolução do TSE, que estabelece uma comissão já criada para esse fim, composta pelos juízes Roberto Veloso e José Acélio Correia e pelo desembargador Batista Machado. Eles têm três dias para fazer o trabalho e haverá um prazo de dois dias para contestação dos resultados pelos partidos.
O trabalho da comissão do TRE será o de apurar os votos, incluindo-se os brancos, nulos e aqueles dados a Mão Santa, anulados pelo TSE. Há um entendimento de que se a soma dos votos dados ao senador Hugo Napoleão for inferior à de votos nulos e branco, seria necessária a convocação de uma nova eleição. O procurador eleitoral Tranvanvan Feitosa, porém, disse durante a sessão que ''a diplomação da chapa segunda colocada no pleito é absolutamente irreversível''.
O procurador reclamou dos prazos longos para o trabalho, pois acha que se vai levar pelo menos uma semana até que se tenha o resultado da nova totalização, ''porque bastariam dois toques no teclado de um computador para obtermos esses resultados''. Mas o corregedor eleitoral, Batista Machado, quer que seja feita a nova totalização de votos, ''para que não voltemos a errar outra vez''.
Antes das discussões que tomaram toda a manhã, o TRE decidiu comunicar a vacância do cargo, determinando a posse do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Kleber Eulálio (PMDB), como governador interino. Eulálio assumiu o governo às 9h25, mais de 48 horas depois da cassação de Francisco Moraes, o Mão Santa, e ontem já despachava no Palácio de Karnak, sede do governo estadual.
O novo governador manteve todos os secretários do governador cassado. Entre os que permanecem nos seus cargos estão a mulher do ex-governador, Adalgisa Moraes Souza, o filho, Francisco Moraes Júnior, o Mão Santinha, e o irmão, Paulo de Tarso Moraes Souza, secretários de Serviço Social, Gabinete Civil e Fazenda. Dois cunhados de Mão Santa, Paulo Aírton e Alcindo Queiroz, foram mantidos nos cargos de presidente do Instituto de Previdência do Estado (Iapep) e na diretoria-geral do Detran.


