Curitiba - A Corte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) analisa hoje a minuta do calendário eleitoral com a data do novo segundo turno das eleições para prefeito de Londrina. O calendário, que está sendo elaborado pela juíza federal Gisele Lemcke, pode ou não ser acatado pelos membros da Corte. A votação ocorre a partir das 16h30 na sede do TRE, em Curitiba.
A assessoria de imprensa do TRE informou que o ofício enviado pelo juiz da 41 Zona Eleitoral de Londrina, Abelar Baptista Pereira Filho, - que sugere a realização da eleição no dia 29 de março e a requisição da Força Nacional para garantir a segurança no dia do pleito - chegou no protocolo do TRE no início da tarde de ontem. Portanto, não haveria tempo hábil para incluir o assunto na pauta de hoje da Corte.
Em entrevista ontem à Reportagem, Pereira Filho enfatizou que a requisição de unidades da Força Nacional não deve ser tratada com ''alarde''. ''É uma medida cautelosa, que pode ser adotada ou não pelo TRE. Fica a critério do TRE'', reforça ele. Segundo Pereira Filho, o comando da PM estadual o informou ontem que serão feitos ''todos os esforços'' necessários para garantir a segurança da eleição.
Apesar de não conhecer ainda o teor do ofício, a juíza federal já estava ciente, extraoficialmente, da data sugerida. Ainda ontem o ofício deveria ser encaminhado ao diretor-geral do TRE, Ivan Gradowski, que em seguida levaria ao presidente da Corte, Jesus Sarrão.
A assessoria de imprensa do TRE antecipou que o novo calendário deve trazer datas do início da propaganda eleitoral nas ruas, na televisão e no rádio, além de informações sobre convocação de mesários (os mesmos da eleição anterior) e lacre de urnas. Entre os eleitores, só votariam aqueles que já estavam aptos a votar no segundo turno, realizado no ano passado. Ou seja, pessoas que tiraram o título eleitoral depois daquela disputa não votariam no novo processo.
Campanha eleitoral
Em entrevistas ontem à Reportagem, os deputados federais Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT) - prováveis adversários na disputa pela Prefeitura de Londrina - preferiram manter o discurso que prioriza a indefinição da Justiça Eleitoral.
Hauly discorda da realização de um ''terceiro turno'' com pendências no Judiciário. ''Vou disputar uma eleição que novamente pode não ter valor? A Justiça Eleitoral deveria primeiro julgar todas as pendências. Errado já está, demorado já foi. Por que se precipitar agora na organização do 'terceiro turno'?'' Questionado sobre como se prepararia para uma nova disputa, Hauly comenta que haveria dificuldade até na obtenção de recursos para a campanha eleitoral: ''Pelo menos poderiam devolver o dinheiro que gastamos no segundo turno''.
Barbosa Neto continua defendendo a posse do aliado pepista, Antonio Belinati, mas afirma que também se sente prejudicado por conta do imbróglio. ''Saio em desvantagem porque não disputei o segundo turno. As propostas do meu adversário foram mais difundidas'', argumenta ele. Numa eventual vitória no ''terceiro turno'', Barbosa Neto arriscaria renunciar ao mandato em Brasília mesmo sem uma decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). ''Político não tem que ter medo de perder mandato. Não dá para ser meio deputado, meio prefeito'', disse o pedetista.

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