Curitiba - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apreendeu ontem dezenas de calcinhas que estavam sendo distribuídas na campanha eleitoral do dentista Belisário Hulyk Rey Fortes (PSDB), candidato a vereador em Curitiba. As calcinhas foram apreendidas depois da reclamação de um grupo de moradores do bairro Jardim Acrópole, que não teria gostado da forma inusitada de propaganda do candidato. O abaixo-assinado entregue ao promotor Armando Antônio Sobreiro Neto, do Centro de Apoio Operacional às Promotorias Eleitorais, dizia que o político oferecia ''calcinhas a mulheres e meninas com seu nome, número e legenda na parte das nádegas'' para conquistar votos.
O promotor alegou que a comunidade argumentava que a propaganda de Rey Fortes era um ''apelo sensual''. Entretanto, essa não é a primeira vez que uma campanha utiliza-se das calcinhas para conquistar o voto feminino. Na campanha do senador Alvaro Dias (PSDB) ao governo do Estado em 2002, o cantor Wando, contratado para os showmícios, distribuía calcinhas às eleitoras como parte de seu repertório e performance musical. O candidato Rey Fortes, 28 anos, diz que a idéia de distribuir calcinhas foi um protesto contra os políticos que se utilizam da ilegalidade para ''comprar'' os votos da população.
''Em política você vê todo mundo fazendo sacanagem. Tem político comprando voto, distribuindo medicamentos e cesta básica para a população. A distribuição das calcinhas foi um protesto contra esses candidatos, que fazem qualquer coisa, à revelia da Justiça Eleitoral, para angariar votos'', afirmou ele. Rey Fortes, que faz trabalho voluntário de prevenção contra cáries em favelas de Curitiba, contou que teve placas arrancadas pelos adversários políticos e muros particulares apagados.
O candidato acha que a reclamação na Justiça Eleitoral partiu de políticos e não da comunidade. ''Eu estou fazendo uma campanha voltada para as mulheres. Mas os maridos me procuram e dizem que gostam da campanha e da idéia. Teve um que pediu uma calcinha para a filha que tinha ficado com ciúmes da mãe.'' Rey Fortes garantiu que só distribui esse tipo de produto para mulheres com mais de 18 anos ou para pais e responsáveis que queiram presentear suas filhas.
O juiz eleitoral Fernando Ferreira de Moraes deverá analisar o caso na semana que vem. Ele deverá julgar se a entrega de calcinhas caracteriza brinde (que é lícito) ou compra de votos (que seria crime eleitoral). O candidato argumentou que não pode ser caracterizada como compra de votos a entrega de calcinhas que custam R$ 0,75 a unidade. Elas são entregues em pacotes individualizados e fechados.

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