Curitiba - Termina amanhã o prazo para que as coligações que vão disputar as eleições de outubro entreguem à Justiça Eleitoral a previsão dos gastos que terão na campanha.
O tema ficou em evidência após as denúncias de existência de um caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL).
Embora o prefeito tenha previsto o gasto de R$ 3 milhões em sua campanha eleitoral, a Polícia Federal investiga denúncias de que o PFL tenha usado cerca de seis vezes esse valor na disputa pela prefeitura de Curitiba.
A legislação eleitoral não estipula um limite para os gastos de campanha, nem pune o partido que prever um teto que na prática seja inatingível. Mesmo assim, a maioria das coligações prefere não exagerar na previsão de gastos. ''Ninguém vai colocar um valor que impressione muito para não ser acusado de esbanjador'', afirma o senador Alvaro Dias, candidato do PDT ao governo e com vasta experiência em campanhas.
Na coligação PDT-PPB-PTB, a teoria do senador parece ter sido posta em prática. A aliança trabalha com uma cifra de espartanos R$ 2,8 milhões para a disputa de Alvaro pelo Palácio Iguaçu.
Para efeitos de comparação, o PT e o PMDB prevêem gastos em torno de R$ 8 milhões com suas campanhas. Até o PPS, que não tem tantos aliados de peso em sua coligação para trazer recursos, prevê gastar cerca de R$ 1,7 milhão.
Prever um valor abaixo do que se gasta na prática não é uma calamidade, entretanto. A legislação possibilita aos partidos corrigirem sua previsão ao longo da campanha, estipulando gastos maiores. Os candidatos só podem ser responsabilizados criminalmente caso gastem mais do que foi declarado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Com a possibilidade de correção, maioria dos políticos ouvidos pela Folha considera a previsão de gastos um mero exercicío de imaginação. ''Organizar uma campanha é como montar uma empresa que vai funcionar por três meses. Só que até agora não sabemos nem quantos funcionários vão trabalhar nem de onde vai vir o dinheiro. Basicamente, temos que chutar um valor'', comenta o presidente estadual do PSDB, Basílio Villani.
Parece absurdo, mas na realidade é assim que funciona. Segundo ele, a previsão de gastos para a campanha do vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, vai girar em torno de R$ 15 milhões.

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