Curitiba - Apesar de ter sua votação adiada ontem na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o projeto de lei que prorroga o mandato dos atuais diretores das escolas estaduais em um ano, até 31 de dezembro de 2015, deve entrar hoje no chamado "tratoraço" governamental. O líder do PT, Tadeu Veneri, pediu vista da mensagem, por considerá-la antidemocrática, uma vez que ela muda as regras faltando pouco menos de um mês para a realização do pleito.
Conforme o texto, a administração se compromete a promover, no próximo ano, "um amplo processo de debate e discussão de propostas que possam embasar a revisão do próprio modelo vigente". O texto não traz, contudo, um detalhamento de quais medidas seriam essas. As eleições nas 2,1 mil escolas estão marcadas para 26 de novembro, sendo que a inscrição das chapas se encerra hoje.
A iniciativa não foi bem recebida pelos representantes da APP-Sindicato, que durante as últimas sessões lotaram as galerias da AL para firmar seu posicionamento contrário. "O governo o tempo todo afirmou que cumpriria a lei e não teve nenhum diretor de escola que foi ao sindicato pedir posição diferente", disse o presidente da entidade, Hermes Silva Leão.
A bancada do PT chegou a levantar a possibilidade de o governador Beto Richa (PSDB) ter feito algum tipo de acordo com os atuais ocupantes dos cargos, para que eles apoiassem a sua reeleição, o que o governo nega. "Mais do que inoportuno, o projeto deixa muitas dúvidas, se de fato visa a uma melhor qualificação dos diretores, o que pode ser feito mesmo com eles eleitos, ou se é apenas uma promessa de campanha feita", atacou Veneri.
Para o líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), a APP e a oposição estão fazendo "um cavalo de batalha". "Nós não estamos falando em acabar com eleição de diretor. O que o governador quer é aprimorar o processo de escolha". (M.F.R.)

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