Moscou – O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chegou ontem a Moscou, onde se reunirá com o presidente russo Vladimir Putin para firmar um acordo sobre desarmamento nuclear. Na primeira visita à Rússia, Bush foi recebido pelo ministro das Finanças, Alexei Kudrin, e dirigiu-se diretamente ao hotel em que ficará hospedado, no centro da capital russa, cercado por agentes de segurança.
O acordo de desarmamento nuclear, o primeiro em dez anos entre Washington e Moscou, que será assinado no Kremlin hoje, tem como objetivo reduzir o arsenal dos dois ex-adversários da Guerra Fria para 4.300 ou 3.800 ogivas até o ano 2012. Hoje, existem ao todo 6.000 ogivas nucleares.
A Rússia conseguiu dar status de tratado ao acordo, mas uma parte das ogivas nucleares desativadas e seus vetores (mísseis, bombardeios, submarinos) não serão destruídos, algo que Moscou exigiu sem êxito. Esta situação deixa Moscou em inferioridade em relação a Washington, pelo caráter obsoleto do arsenal russo, que não poderá ser reutilizado além de uma data específica e que não poderá ser renovado por falta de recursos.
O Partido Comunista, única oposição ao Kremlin, considera a assinatura deste tratado uma ‘‘traição aos interesses nacionais’’ e acusou Putin de transformar a Rússia em um ‘‘satélite dos Estados Unidos’’. Cerca de 250 pessoas convocadas pelo partido comunista protestaram ontem próximo à embaixada dos Estados Unidos contra a ‘‘destruição da defesa’’ do país.
A assinatura do tratado, ‘‘o último da Guerra Fria’’, permitirá aos Estados Unidos e à Rússia fixarem as bases para uma nova cooperação política, militar e econômica, recompensando desta forma o presidente russo Vladimir Putin por seu apoio aos ocidentais, na ocasião dos atentados contra os Estados Unidos. Eles também devem assinar uma declaração estratégica para nova cooperação sobre energia e contra o terror.
Moscou, por sua vez, espera obter de Washington o estatuto de economia de mercado, o que lhe permitirá normalizar suas relações comerciais com os Estados Unidos, além de ter favorecidos os investimentos estrangeiros em seu território e sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma das prioridades do Kremlin. Putin, no entanto, lamentou a demora de um debate no Senado norte-americano sobre o fim da emenda Jackson-Vanik, de 1974, que impõe restrições ao comércio russo-norte-americano.
Um ponto delicado do encontro será a advertência do presidente Bush à Rússia sobre os riscos da cooperação nuclear e balística com o Irã, acusação rechaçada por Moscou, que pretende continuar sua cooperação com Teerã.
Amanhã e domingo, Putin levará Bush a São Petersburgo, cidade natal do chefe de Estado russo, onde manterão conversas informais.

mockup