A impunidade não pode ser considerada a causa maior da corrupção no Brasil. A opinião é do cientista político e professor da Unicamp (SP), Bruno Wilhelm Speck. Ele diz que não há estatísticas sobre o assunto, mas considera ‘‘exagerado’’ afirmar que o problema estaria enraizado na impunidade. ‘‘As causas são variadas e passam por fatores culturais e pressões econômicas’’, considera.
Speck – conselheiro da ONG Transparência Brasil e coordenador do Source Book Brasil – esteve ontem em Curitiba para conversar com o ouvidor paranaense João Elias de Oliveira. A ONG vai lançar no início de 2001 um livro sobre corrupção e controle no Brasil. O ouvidor paranaense vai colaborar na elaboração do texto. Segundo o cientista político, o objetivo do livro é abrir o debate em torno da corrupção e dos prejuízos econômicos, sociais e políticos que causa à sociedade.
Para o professor, um dos fatores que mais contribuem para a corrupção no meio político é o sistema de financiamento das eleições. ‘‘Quando os recursos não são compatíveis com as necessidades dos partidos, eles podem acabar buscando fontes ilícitas de financiamento’’, argumenta.
A Transparência Brasil promove ações para combater a corrupção e fez campanha nacional nas últimas eleições para conscientizar a população sobre a importância de não se vender o voto. Klaus Frey, professor da PUC-PR e colaborador do livro, defende maior participação da população nas políticas públicas para evitar a corrupção.
Desde 1995 a ONG divulga o índice internacional da corrupção. Este ano, o Brasil piorou no conceito, passando do 45º para 49º lugar.

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